A crise energética em Cuba se intensifica, forçando a população a recorrer a métodos rudimentares de cozinha, como o uso de carvão e lenha. Com apagões que podem durar até 20 horas por dia, a situação se torna insustentável, especialmente fora da capital, Havana. A escassez de combustível, agravada por sanções e cortes nas importações, tem deixado muitos cubanos sem opções para preparar suas refeições.
Recentemente, Yusimi Castellano, moradora de Santiago de Cuba, acendeu um fogo improvisado em seu apartamento, utilizando carvão e resíduos plásticos como material de ignição. “Eu não deveria estar cozinhando com carvão”, disse Castellano, que sofre de asma e enfrenta dificuldades respiratórias. “Mas se eu não cozinhar, eu morro.”
Os métodos de cozinha rudimentares se tornaram comuns em seu complexo habitacional, que um dia simbolizou a promessa da revolução cubana. Com a economia em colapso e a pressão externa aumentando, muitos moradores não conseguem nem comprar carvão e são forçados a cortar lenha para cozinhar.
As dificuldades começaram a se agravar quando o governo Trump interrompeu as entregas de petróleo da Venezuela, um dos principais fornecedores de Cuba. A situação se tornou ainda mais crítica com a interrupção das importações de combustível do México, outro fornecedor importante. O regime cubano alega que suas reservas de petróleo estão se esgotando e que a rede elétrica, já envelhecida, não consegue atender à demanda.
Fora de Havana, a realidade é ainda mais severa. A falta de energia não apenas afeta a cozinha, mas também desencadeia uma crise humanitária, com a principal refinaria de Santiago parando de produzir gás liquefeito de petróleo. Enquanto muitos lares em Havana ainda têm gás encanado, Santiago e outras regiões do país carecem dessa infraestrutura, forçando a população a se adaptar a condições cada vez mais difíceis.
A crise energética em Cuba ilustra os desafios enfrentados por uma população resiliente, que se vê obrigada a improvisar soluções em meio a um cenário de escassez e incerteza. A luta diária para cozinhar e se alimentar se torna um reflexo das dificuldades que o país enfrenta em um contexto global de pressão política e econômica.



