Post: Ex-dono da Reag revela propinas de Vorcaro a autoridades em delação

João Carlos Mansur, ex-dono da Reag, revela em delação propinas de Vorcaro a autoridades públicas. A colaboração aguarda validação no STF.
Ex-dono da Reag revela propinas de Vorcaro a autoridades em delação

O empresário João Carlos Mansur, ex-proprietário da Reag, afirmou em delação premiada que fundos de investimentos administrados pela empresa foram utilizados para ocultar o pagamento de propinas a autoridades públicas, supostamente realizadas por Daniel Vorcaro, do Banco Master. A delação foi enviada na última semana ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e aguarda validação. A Polícia Federal participou do início das negociações, mas não deu continuidade às tratativas.

Mansur detalha na proposta a participação da gestora e dos fundos de investimento no esquema, além de citar indivíduos que atuavam como laranjas de Vorcaro. Essa colaboração reforça as investigações que já apontavam fraudes financeiras relacionadas a Vorcaro e à Reag. Além de corroborar as suspeitas, a delação traz informações sobre a movimentação financeira, a localização de recursos enviados ao exterior e as possibilidades de recuperação desses valores.

A defesa de Vorcaro, procurada, alegou não ter acesso aos anexos da delação e, portanto, não se manifestou. A defesa de Mansur também não se pronunciou. Segundo investigadores, a maior parte do dinheiro desviado no esquema do Banco Master está fora do Brasil, em offshores, que são empresas registradas em paraísos fiscais. A delação permite a devolução desses valores ao Brasil sem a necessidade de acordos complexos com autoridades estrangeiras, evitando que países cobrem taxas sobre a quantia recuperada.

Para fechar o acordo, Mansur se comprometeu a pagar uma multa de R$ 40 milhões, além de colaborar na recuperação dos recursos desviados. A Reag era uma das maiores gestoras independentes do país e, em setembro de 2025, Mansur deixou o cargo de presidente do Conselho de Administração da empresa para tentar conter a crise após a operação Carbono Oculto, que investigou a infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) em atividades econômicas formais. A Reag foi um dos principais alvos da operação, acusada de abrigar recursos ilícitos.

Desde o final do ano passado, Mansur já discutia a possibilidade de um acordo de colaboração, inicialmente com o Ministério Público Federal em São Paulo, mas as conversas não avançaram. Em janeiro deste ano, ele foi alvo de buscas na segunda fase da operação Compliance Zero, que investiga os escândalos relacionados ao Banco Master. Essa nova delação pode trazer à tona mais detalhes sobre o esquema de corrupção e suas ramificações, aumentando a pressão sobre as autoridades envolvidas e as investigações em curso.

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