Post: Copa do Mundo em Miami: expectativa entre latinos, mas falta de animação nas ruas

Em Miami, a expectativa pela Copa do Mundo cresce entre latinos, mas a falta de animação nas ruas e os altos preços dos ingressos preocupam.
Copa do Mundo em Miami: expectativa entre latinos, mas falta de animação nas ruas

A Copa do Mundo da América do Norte se aproxima, mas em Miami, a efervescência típica do evento ainda não é visível nas ruas. A cidade, com uma população predominantemente latina, vive a expectativa da competição de forma mais contida, refletindo-se em interações em grupos de WhatsApp, partidas informais e treinos de futebol infantil. Apesar de sediar quatro jogos da fase de grupos e três eliminatórios, incluindo a disputa pelo terceiro lugar, a atmosfera não corresponde à grandeza do evento.

Rafael Calvo, um colombiano de 50 anos, expressa sua frustração com a falta de promoção em Miami. “Esperava uma atmosfera como a do Super Bowl, que já está fervilhando um ou dois meses antes. Estou achando muito fraco”, comenta enquanto observa seu filho treinar em uma academia de futebol em Doral, um bairro próximo. Genesis Garrido, ex-jogadora profissional da Venezuela e atual treinadora, compartilha a mesma opinião. Para ela, a cidade deveria fazer mais para promover um evento de tamanha importância. “Quase não vi nenhuma promoção relacionada à Copa do Mundo na cidade, nenhum cartaz ou decoração”, lamenta.

Enquanto isso, na Revo Soccer, um espaço que aluga campos em Doral, a paixão pelo futebol se manifesta. Marcos Daniel Quintana, de 26 anos, joga com colegas de trabalho em uma partida intensa. “Estou muito ansioso para que a Copa do Mundo comece logo”, afirma. Juan Pugín, treinador de futebol argentino, observa um aumento nas reservas de campos e um crescente interesse entre as crianças pelos álbuns de figurinhas da Panini. “Os latinos vivenciam esse esporte com uma paixão incomparável”, diz ele, ressaltando que a chegada de Lionel Messi à cidade em 2023 intensificou essa paixão.

Entretanto, muitos latinos enfrentam um obstáculo significativo: os altos preços dos ingressos. Garrido expressa sua tristeza ao perceber que não poderá assistir aos jogos devido aos custos exorbitantes. “Estamos muito animados para vivenciar a Copa do Mundo aqui, mas também um pouco tristes porque os ingressos estão muito caros”, lamenta. Calvo também gostaria de levar seus filhos para ver a Colômbia jogar, mas desistiu ao ver os preços começando em US$ 2.500. Ele optou por um jogo mais acessível entre Arábia Saudita e Uruguai, no qual conseguiu ingresso por pouco mais de US$ 300. “Nunca fui a uma Copa do Mundo, então, para riscar esse item da minha lista de desejos, vou a esse jogo”, explica.

Garrido tem planos de reunir as meninas de sua academia para assistir aos jogos e promover um intercâmbio cultural durante o torneio. “Será um intercâmbio cultural maravilhoso”, afirma, destacando a importância de criar laços entre as jovens jogadoras e torcedores de outros países. A expectativa é alta, mas a realidade financeira pode limitar a participação da comunidade latina em um dos eventos esportivos mais aguardados do mundo. A Copa do Mundo em Miami promete ser um evento marcante, mas a cidade precisa se mobilizar para que a animação e a celebração sejam sentidas não apenas nas comunidades, mas também nas ruas.

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