Uma delegação do Parlamento Europeu foi recebida nesta quarta-feira (6) no Palácio do Planalto, em Brasília, pelo presidente em exercício, Geraldo Alckmin. O encontro teve como foco a discussão dos próximos passos do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, que entrou em vigor na semana passada, estabelecendo uma das maiores áreas de livre comércio do mundo e reduzindo tarifas sobre produtos brasileiros exportados ao continente europeu.
comércio: cenário e impactos
O acordo, que foi assinado no final de janeiro em Assunção, no Paraguai, representa uma mudança significativa nas relações comerciais entre os dois blocos. Com a implementação, mais de 80% das exportações brasileiras para a Europa passaram a ter tarifa de importação zerada, de acordo com estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Isso significa que a maior parte dos produtos brasileiros poderá entrar no mercado europeu sem pagar impostos de entrada.
Impacto do acordo nas relações comerciais
A redução das tarifas não apenas diminui o preço final dos produtos, mas também aumenta a competitividade do Brasil em relação a concorrentes internacionais. Ao todo, mais de 5 mil produtos brasileiros já estão com tarifa zero nesta fase inicial, abrangendo bens industriais, alimentos e matérias-primas. Entre os quase 3 mil produtos com tarifa zerada, cerca de 93% são bens industriais, o que indica que a indústria brasileira será a principal beneficiada no curto prazo.
Desafios e expectativas futuras
Apesar do otimismo, a aplicação do tratado ocorre de forma provisória, conforme decisão da Comissão Europeia. Em janeiro, o Parlamento Europeu enviou o texto para análise do Tribunal de Justiça da União Europeia, que avaliará sua compatibilidade jurídica com as normas do bloco. Este processo pode levar até dois anos, e a expectativa é que a decisão do tribunal e a subsequente aprovação no Parlamento Europeu sejam positivas, como afirmou o deputado português Hélder Sousa Silva, presidente da Delegação para Relações com o Brasil do Parlamento Europeu.
“Esperamos que a decisão do Tribunal de Justiça e, depois, a aprovação ou ratificação que se seguirá no Parlamento Europeu sejam positivas. Estou crendo que sim”, afirmou Sousa Silva.
Salvaguardas e equilíbrio no acordo
Durante a reunião, Geraldo Alckmin destacou que o acordo com a União Europeia foi elaborado com equilíbrio e inclui salvaguardas para os setores produtivos. Ele enfatizou a importância do multilateralismo, que beneficia a sociedade ao proporcionar acesso a produtos de melhor qualidade a preços mais acessíveis, além de estimular a competitividade.
“O multilateralismo é importante e ganha a sociedade, que passa a ter acesso a produtos de melhor qualidade, com preços mais acessíveis, além do estímulo à competitividade. O acordo foi muito bem elaborado e tem salvaguardas. É um ganha-ganha”, disse Alckmin.
Definição das cotas tarifárias
Na última semana, o Brasil definiu as chamadas cotas tarifárias, que são as quantidades máximas de algumas mercadorias que podem ser importadas ou exportadas com imposto reduzido ou até zerado. Segundo o governo, essas cotas abrangem cerca de 4% do total das exportações brasileiras e apenas 0,3% das importações, indicando que a maior parte do comércio entre Mercosul e União Europeia ocorrerá sem limites de quantidade, com redução ou eliminação integral de tarifas.
O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia envolve 31 países, com um público consumidor de 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) combinado de mais de US$ 22 trilhões. Essa integração econômica pode trazer benefícios significativos para as economias envolvidas, ampliando as oportunidades de comércio e investimento.
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