Em um desdobramento significativo nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, o ministro brasileiro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Márcio Elias, confirmou que ele e o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, se reunirão por videoconferência na próxima semana. A informação foi divulgada após uma conversa telefônica entre os presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva, que durou 1h20 e abordou questões como as tarifas impostas pelos EUA sobre produtos brasileiros, o combate ao crime organizado e conflitos globais.
A ligação, segundo o governo brasileiro, ocorreu em um tom amistoso e cordial, sinalizando uma nova fase nas relações bilaterais. O ministro Elias destacou que a conversa entre os presidentes abre um novo canal de diálogo e reforça a perspectiva de uma solução negociada, um objetivo sempre buscado pelo governo brasileiro. “Já combinamos que nos reuniremos a partir da semana que vem e vamos retomar as conversas diretamente”, afirmou Elias.
Jamieson Greer, que lidera o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), está à frente das investigações que resultaram na aplicação de tarifas que somam 37,5% sobre produtos brasileiros. Essas tarifas incluem 25% referentes a uma investigação iniciada no ano anterior e 12,5% aplicadas ao Brasil em um contexto mais amplo que envolve outros 59 países.
Além da videoconferência, está programada uma reunião entre Greer e autoridades brasileiras para o fim de setembro, em Wisconsin. O governo americano anunciou que esses encontros envolverão representantes dos países do G20, com os EUA como anfitriões do evento que ocorrerá em dezembro em Mar-a-Lago. Embora ainda não esteja definido quem representará o Brasil, é esperado que um membro do governo petista participe.
Os temas a serem discutidos incluem a eliminação do trabalho forçado nas cadeias globais de suprimentos, a atualização do princípio da Nação Mais Favorecida (NMF), a condenação do uso do comércio de alimentos como arma e o enfrentamento do excesso estrutural de capacidade e produção. Essa retomada de diálogos é vista como um passo importante para a normalização das relações comerciais entre os dois países, que enfrentaram tensões nos últimos anos devido a políticas protecionistas e tarifas elevadas.



