Post: CNI mantém projeção de crescimento de 2% do PIB para 2023

CNI mantém projeção de crescimento de 2% do PIB brasileiro para 2023, apesar de desafios econômicos.
CNI mantém projeção de crescimento de 2% do PIB para 2023

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reafirmou sua previsão de crescimento de 2% para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2023. A atualização foi divulgada no Informe Conjuntural do 2º Trimestre, apresentado nesta quarta-feira (22). A entidade acredita que a economia continuará a avançar em um ritmo moderado, impulsionada principalmente pela indústria extrativa, pelo agronegócio e pela resiliência do setor de serviços. Apesar desse cenário otimista para alguns segmentos, a CNI alerta que fatores como juros elevados, inflação persistente, custos de produção em alta e o aumento das importações podem limitar uma recuperação mais robusta da atividade econômica. O diretor de Economia da CNI, Mario Sergio Telles, destacou que o crescimento será sustentado pelos setores ligados às commodities e por estímulos à demanda. No entanto, ele enfatizou que a política monetária restritiva e as fragilidades fiscais ainda representam entraves para uma expansão mais acelerada. A CNI também revisou para cima a projeção da inflação, que deve ser impactada por alimentos, combustíveis e serviços, mantendo pressão sobre os preços ao consumidor. A entidade expressou preocupação com o cenário fiscal, que, embora indique um crescimento na arrecadação federal, ainda deve ser afetado pelo aumento das despesas públicas, resultando em contas governamentais deficitárias e um endividamento crescente. Entre os principais indicadores, a CNI projeta um PIB de 2%, uma inflação medida pelo IPCA que subiu de 4,4% para 5%, e uma receita líquida federal 5,8% acima da inflação, enquanto as despesas federais devem crescer 4,5% acima da inflação. O déficit primário para 2026 é estimado em R$ 55,3 bilhões, com uma dívida pública correspondente a 82% do PIB. No setor industrial, a CNI elevou a expectativa de crescimento, especialmente na indústria extrativa, que se beneficia do aumento na produção de petróleo e enfrenta menos impactos dos juros elevados. No entanto, a indústria de transformação ainda sofre com a pressão das importações, altas taxas de juros e custos elevados devido ao conflito no Oriente Médio. Apenas sete dos 24 segmentos industriais estão apresentando crescimento, segundo a entidade. A construção civil, por sua vez, deve ser impulsionada por medidas governamentais voltadas ao crédito habitacional e investimentos em infraestrutura. As projeções para a indústria incluem um PIB industrial elevado de 1,6% para 2,1%, com a indústria extrativa passando de 7,8% para 9,1%, enquanto a indústria de transformação deve crescer de 0,3% para 0,6%, e a construção civil de 1,3% para 1,5%. No setor agropecuário, a expectativa de uma nova safra recorde, especialmente de soja, e o crescimento da produção animal levaram a CNI a aumentar a projeção para o setor pela segunda vez consecutiva. Mesmo com o aumento dos custos de insumos devido ao conflito no Oriente Médio, o desempenho do setor deve ser superior ao previsto anteriormente. As projeções para agro e serviços indicam um aumento na agropecuária de 1,1% para 1,8%, enquanto os serviços devem passar de 2,1% para 1,9%. O setor de serviços é sustentado pelo mercado de trabalho, vendas do varejo e segmentos de informação e comunicação. Contudo, o aumento da inadimplência das famílias, maior endividamento e juros altos reduziram a expectativa de crescimento. Em relação à taxa de juros, a CNI ajustou para baixo a expectativa de queda da taxa básica, prevendo agora apenas dois cortes de 0,25 ponto percentual ao longo de 2026. A taxa atual é de 14,25% ao ano, com uma previsão de queda para um intervalo de 12,75% a 13,75% ao ano até o fim de 2026. Os juros reais, acima da inflação, são estimados em 9,2%, enquanto o juro neutro, que não afeta o PIB, é projetado em 5%. No cenário internacional, a CNI destaca a guerra no Oriente Médio como um dos principais fatores de risco para a economia brasileira, pois elevou os custos de combustíveis, energia e fertilizantes. No entanto, a entidade acredita que essa pressão pode diminuir ao longo do ano, com o aumento esperado da oferta mundial de petróleo. Outro ponto de atenção é o crescimento das importações de bens de consumo, que ocorre em um momento de desaceleração da indústria nacional. As importações de bens de consumo aumentaram 16% no primeiro semestre, com importações totais alcançando US$ 306 bilhões, um crescimento de 5,2%. As exportações, por sua vez, somaram US$ 383,9 bilhões, marcando um aumento de 9,5%, resultando em um superávit da balança comercial de US$ 77,9 bilhões, um crescimento de 30,4%. A CNI alerta que esse cenário pode mudar caso avancem as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, o que pode impactar negativamente as exportações ao longo de 2026.

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