O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) expressou, em entrevista ao Flow Podcast, suas dúvidas sobre a possibilidade do Congresso Nacional reverter a proibição das apostas online, popularmente conhecidas como “bets”. Durante a conversa, realizada na última quinta-feira (1º), Lula afirmou: “Duvido que o Congresso tenha coragem de acabar com ela. Mesmo alguns que são sócios de tigrinho. Essa é uma briga boa.” A proibição, que foi estabelecida por meio de uma medida provisória, é válida por 120 dias e precisa ser aprovada pelo Congresso para se tornar lei definitiva. Lula apresentou a MP na sexta-feira anterior, a nove dias do primeiro turno das eleições presidenciais. Ele revelou que tomou a decisão de vetar as apostas após ouvir relatos de pessoas que enfrentaram vícios e endividamentos devido ao jogo. “Eu não tinha noção da gravidade do problema. Eu suspeitava, mas não tinha noção. E pelo fato da gente ter eleições, é que eu acabei mesmo, porque se eu não acabo e eu não ganho as eleições, jamais ia acabar”, comentou. Apesar da proibição, o presidente alertou que isso não significa o fim dos problemas relacionados às apostas. “Cada vez que você regula, aparece mais uma [bet] ilegal”, destacou. Além do tema das apostas, Lula também abordou a questão do tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Brasil. Ele afirmou que Trump é ciente das necessidades estratégicas que o Brasil representa, especialmente no que diz respeito ao nióbio, mineral essencial para a transição energética. “O Trump sabe que nós temos coisas estratégicas que ele precisa. Eu ainda não coloquei em prática a lei da reciprocidade, mas ele [Trump] é importador de nióbio, e 60% do nióbio dele é daqui do Brasil”, disse Lula. O presidente enfatizou a importância de desenvolver a capacidade tecnológica do Brasil, mencionando a aceitação de tecnologia tanto chinesa quanto americana, mas sempre respeitando limites. “A gente quer fazer uma revolução na formação de engenheiros e pesquisadores de geofísica para a gente explorar terras raras e minerais críticos”, afirmou. Lula sancionou recentemente a política nacional para minerais críticos, que confere ao Brasil maior controle sobre investimentos estrangeiros. “O futuro do Brasil é ser uma potência econômica, uma potência energética, uma potência da transição energética com minerais críticos e terras raras. Você acha que a gente vai ficar dependendo do chinês para fazer baterias elétricas? Vamos fazer chips aqui, celular aqui. Inteligência artificial em português”, concluiu o presidente.


