O Brasil se despede de um de seus mais influentes cineastas. Orlando Senna, que moldou gerações de profissionais no cinema nacional, faleceu aos 86 anos nesta terça-feira (9), após complicações de saúde decorrentes de uma broncopneumonia.
Senna, natural da Bahia, é lembrado por sua contribuição significativa ao cinema brasileiro, sendo autor de roteiros icônicos como O Rei da Noite e Ópera do Malandro. Juntamente com Jorge Bodanzky, dirigiu Iracema, uma Transa Amazônica, um filme que foi reconhecido pela Associação de Críticos de Cinema (Abraccine) como um dos 100 mais importantes da história do Brasil.
Lançado nos anos 1970, Iracema não apenas desafiou a censura da época, mas também quebrou barreiras entre ficção e documentário, revelando ao mundo as realidades sociais e ambientais da Amazônia.
Fernando Meirelles, diretor de Cidade de Deus, destacou a importância de Iracema em sua trajetória, afirmando que foi esse filme que o levou a abandonar a arquitetura para se dedicar ao cinema.
A morte de Orlando Senna gerou uma onda de homenagens de diversos artistas, incluindo Bodanzky e a atriz Dira Paes. O ator Antônio Pitanga, em uma das últimas homenagens prestadas ao cineasta, expressou sua gratidão por ter sido dirigido por ele no teatro.
“Todas as homenagens a você, Orlando, são poucas. Eu tive o prazer de ser dirigido por você no teatro. Este momento, para mim, de homenagear, de rever, de revisitar a história do Brasil passa por você, Orlando”.
Contribuições para a TV e o cinema
Além de sua carreira cinematográfica, Senna foi um defensor ativo do cinema brasileiro e latino-americano. Ele participou da articulação de projetos como Revelando os Brasis e DOC TV. Também atuou como diretor-geral da Empresa Brasil de Comunicação e foi fundamental na implantação da TV Brasil. Juntamente com Gabriel Garcia Marquez, fundou a Escuela Internacional de Cine y Televisión (EICTV) em Cuba.
Senna sempre teve um posicionamento firme sobre a importância do cinema como ferramenta de transformação social. Em uma entrevista, enquanto era Secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura, afirmou:
“Nós acreditamos, como obrigação do Estado, do governo, semear sem parar. Ou seja, não temos nem a necessidade nem o poder de ver se as sementes são boas ou ruins. O que a gente tem é de colocar a semente no chão. Alguma coisa nascerá daí. O joio e o trigo a gente só separa depois da semeadura”.
A despedida de Orlando Senna será realizada na tarde desta quinta-feira (11), no Crematório da Penitência, no Rio de Janeiro.




