As principais economias do mundo estão intensificando seus esforços para se proteger contra possíveis ataques cibernéticos ao setor financeiro. Durante uma reunião recente em Bangkok, os ministros das Finanças do G7 discutiram a realização de simulações de emergência para se preparar para esses riscos, especialmente em um cenário onde a inteligência artificial (IA) desempenha um papel central.
A ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama, revelou que o grupo concordou em realizar exercícios de mesa focados em IA avançada. Esses exercícios visam testar a capacidade de resposta dos países a ataques cibernéticos, que, segundo especialistas, estão se tornando cada vez mais sofisticados. A crescente preocupação com os chamados riscos desconhecidos foi um tema recorrente entre os participantes da reunião, que incluíram autoridades governamentais e executivos de bancos.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) destacou, em seu relatório sobre estabilidade financeira global, que os modelos de IA estão se tornando ferramentas poderosas para facilitar ataques cibernéticos. O documento, publicado na terça-feira (13), alerta que incidentes graves podem abalar a confiança nos mercados e interromper operações essenciais. O FMI também observou que, em 2026, mais de 70% das vulnerabilidades analisadas foram exploradas antes ou no mesmo dia de sua divulgação, um aumento significativo em relação a anos anteriores.
Durante as discussões, o presidente do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey, enfatizou a necessidade de aumentar os testes de modelos de IA e adotar padrões de segurança mais rigorosos. Ele reconheceu que a digitalização crescente está ampliando a “superfície de ataque”, ou seja, os pontos vulneráveis que hackers podem explorar. Essa situação é agravada pela dependência dos mercados financeiros em relação a prestadores de serviços terceirizados, o que concentra riscos em determinados pontos da infraestrutura financeira.
Além disso, as autoridades presentes expressaram preocupação com a possibilidade de que sistemas financeiros globais não estejam preparados para enfrentar uma ofensiva potencializada pela IA. Um executivo de um banco do Oriente Médio comentou que, apesar da cautela ao discutir uma possível crise, o setor está cada vez mais focado nos riscos desconhecidos que a IA representa.
Os exercícios propostos pelo G7 poderão envolver simulações elaboradas por diferentes autoridades financeiras, com o objetivo de testar a eficácia dos planos de emergência existentes. A ideia é identificar falhas e melhorar a coordenação entre os países para enfrentar a crescente ameaça cibernética.
Com a intensificação das discussões sobre segurança cibernética e a necessidade de cooperação internacional, os países do G7 estão se preparando para um cenário em que a IA pode ser uma arma tanto em mãos de criminosos quanto de agentes estatais. A preparação e a colaboração entre as nações são vistas como essenciais para mitigar os riscos associados a essa nova era de ameaças cibernéticas.




