O líder chinês, Xi Jinping, finalizou uma visita de dois dias à Coreia do Norte, sua primeira viagem oficial ao país desde 2019. Ao chegar a Pyongyang, foi recebido com honras, incluindo um tapete vermelho e apresentações acrobáticas, em uma demonstração de cordialidade por parte do regime de Kim Jong-un. Apesar da pompa, a visita não resultou em acordos concretos, mas Kim destacou a relevância do encontro, afirmando que a escolha de Pyongyang para a primeira visita de Estado de Xi em 2023 evidencia a “máxima importância” das relações bilaterais, conforme reportado pela agência estatal KCNA.
O contexto da visita é crucial, uma vez que a China busca reafirmar sua influência sobre a Coreia do Norte, um parceiro estratégico que tem se aproximado da Rússia. Para Xi, o encontro serve como um lembrete de que a China continua sendo o principal aliado de Kim, mesmo em tempos de crescente isolamento internacional. Por sua vez, Kim vê na visita de uma figura tão proeminente como Xi uma forma de reafirmar sua posição no cenário global, especialmente após encontros recentes de Xi com líderes como Donald Trump e Vladimir Putin.
Durante um banquete, Xi elogiou as relações entre os dois países, afirmando que estão “ligados por montanhas e rios” e compartilham um “destino comum”. Kim, por sua vez, reafirmou a prioridade da amizade com a China e seu apoio ao princípio de “Uma Só China”. O encontro também marcou o 65º aniversário do pacto de defesa entre os dois países, um tratado único que a China mantém com a Coreia do Norte.
A China é o parceiro político e econômico mais importante da Coreia do Norte, oferecendo suporte em meio às severas sanções internacionais impostas devido ao programa nuclear norte-coreano. No entanto, um aspecto notável da visita foi a ausência de discussões sobre a desnuclearização, um tema que tem sido gradualmente minimizado nas conversas públicas entre os dois países. Analistas observam que a China tem evitado pressionar a Coreia do Norte sobre esse assunto, refletindo uma mudança em sua abordagem nos últimos anos.
Xi foi acompanhado por altos funcionários do governo, incluindo o ministro da Defesa e o ministro das Relações Exteriores, o que demonstra a seriedade com que a China encara a relação com seu vizinho. Durante a visita, os líderes também visitaram a Torre da Amizade, um monumento em homenagem aos soldados chineses que lutaram na Guerra da Coreia, e plantaram um pinheiro em um gesto simbólico de amizade.
Apesar das demonstrações de unidade, as diferenças entre os dois países permanecem. Xi expressou a esperança de que a visita abra um futuro mais brilhante para a causa socialista de ambos, um tema sensível para a China, que tem incentivado a Coreia do Norte a adotar um modelo de desenvolvimento mais aberto. Especialistas sugerem que a falta de menções ao desenvolvimento econômico por parte de Kim pode indicar uma frustração crescente em Pequim, já que a Coreia do Norte resiste a aprender com a experiência de desenvolvimento da China.



