A China está se posicionando como um concorrente significativo do Brasil no mercado mundial de carne de frango, conforme aponta um relatório da especialista do Rabobank, Chenjun Pan. Durante sua visita a São Paulo, Pan destacou que o país asiático, que se tornou um exportador líquido de frango em 2025, deve aumentar sua produção em 10% neste ano, ampliando sua participação nas exportações globais e acirrando a competição com o Brasil, especialmente em mercados da Ásia e da África.
Atualmente, o Brasil é o maior exportador global de carne de frango, com um recorde de 5,3 milhões de toneladas embarcadas. Em contrapartida, as exportações chinesas, que somaram pouco mais de 1 milhão de toneladas no ano passado, estão em crescimento, especialmente com o aumento da demanda por cortes menos consumidos no mercado interno, como o peito de frango.
Pan enfatizou que, embora a China tenha sido tradicionalmente um exportador de carne processada, agora está expandindo suas vendas de carne in natura, um segmento que está crescendo rapidamente. Essa mudança de foco é impulsionada pela demanda interna, onde os consumidores preferem partes como pés e asas, que são fortemente exportadas pelo Brasil.
O crescimento da produção de carne de frango na China, que aumentou mais de 9% no primeiro semestre deste ano em comparação ao mesmo período do ano anterior, é parte de uma estratégia do governo para reduzir a dependência da carne suína, que é a proteína mais consumida no país. A peste suína africana, que afetou severamente a produção de porco entre 2019 e 2021, levou a um aumento significativo na demanda por frango, resultando em investimentos para expandir a capacidade produtiva.
Além disso, a produção de frango é considerada uma alternativa mais eficiente em termos de uso de ração, o que se alinha com os esforços da China para reduzir sua dependência de importações de grãos. A especialista também mencionou que a demanda por carne bovina na China pode crescer no futuro, embora atualmente enfrente restrições devido a tarifas de importação mais altas.
Com a expectativa de um aumento na concorrência, o Brasil pode ter que adaptar suas estratégias para manter sua posição de liderança no mercado global de carne de frango. A migração do consumo para proteínas mais eficientes e a potencial retração da produção de carne suína na China são fatores que podem influenciar essa dinâmica nos próximos anos.



