Post: Casas de praia em Balneário Camboriú se destacam como o Hamptons brasileiro

Casas de praia em Balneário Camboriú se destacam com valorização de 200% em cinco anos, atraindo investidores de luxo.
Casas de praia em Balneário Camboriú se destacam como o Hamptons brasileiro

Nos últimos anos, Balneário Camboriú, em Santa Catarina, tem se consolidado como um destino de luxo, especialmente na região das Interpraias, onde o valor do metro quadrado subiu mais de 200% em apenas cinco anos. Esse aumento significativo atraiu a atenção de investidores em busca de segundas residências de alto padrão, transformando a área em uma verdadeira joia do litoral brasileiro, comparável aos Hamptons, em Nova York.

A imobiliária J. Maurício, que atua na região há mais de 25 anos, destaca que a combinação de baixa densidade populacional, oferta limitada de imóveis e rígidas regras ambientais tem feito da Interpraias um local privilegiado. As casas de praia na região estão na faixa de R$ 20 milhões, e a expectativa é de que os preços continuem a subir, podendo aumentar até 50% nos próximos dois anos, caso a demanda mantenha-se aquecida.

Historicamente, a área era mais associada a pousadas familiares e praias tranquilas, como Estaleirinho e Laranjeiras, do que a mansões de luxo. No entanto, com a verticalização da Praia Central, Balneário Camboriú se tornou uma das cidades com o metro quadrado mais caro do Brasil, com preços médios em torno de R$ 14,9 mil. A Interpraias, por outro lado, mantinha uma ocupação baixa e uma natureza exuberante, atraindo agora um novo perfil de comprador.

Theo Girolamo, corretor local, explica que a região sempre foi vista como um refúgio, com menos movimento e mais contato com a natureza. Essa característica, aliada à escassez de terrenos disponíveis, fez com que investidores começassem a enxergar a Interpraias como uma “reserva de escassez”. O diretor-executivo da J. Maurício, Maurício Girolamo, complementa que as regras de construção limitam a verticalização, garantindo que a área mantenha sua baixa densidade.

A valorização do metro quadrado, que já ultrapassa 200%, é impulsionada pela escassez de terrenos e pela entrada de projetos de alto padrão. Com a previsão de que a demanda por segundas residências continue, a região pode se consolidar ainda mais como um polo de luxo no Brasil. A comparação com os Hamptons é pertinente, pois ambos os locais compartilham características similares: baixa densidade, litoral preservado e um estoque limitado de imóveis em áreas residenciais.

Os Hamptons, por exemplo, são conhecidos por suas casas de veraneio que alcançam preços médios de cerca de US$ 3,8 milhões. A escassez de terrenos e as regras de zoneamento restritivas impactam diretamente a precificação, uma dinâmica que também se observa na Interpraias. Os compradores buscam privacidade e um ambiente tranquilo, o que valoriza ainda mais os imóveis na região.

A Interpraias está inserida na área de proteção ambiental Costa Brava, com um plano de manejo que limita a altura das construções e a taxa de ocupação do solo. Essas restrições garantem que a área mantenha sua vegetação e a qualidade de vida de seus moradores. Além disso, um projeto da recém-criada Agência Interpraias prevê a instalação de câmeras de monitoramento, aumentando a segurança e a organização territorial, o que também contribui para a valorização dos imóveis.

Para os investidores, a combinação de regras claras e um ambiente controlado traz previsibilidade, o que é essencial para o capital de longo prazo. Marcos Gracher, empresário e membro do conselho gestor da área de preservação ambiental, acredita que nos próximos cinco a dez anos, a Interpraias poderá ter o metro quadrado mais caro de Balneário Camboriú e até do Brasil.

A questão que se coloca agora é como a ocupação da região será gerida no futuro. O arquiteto Carlos Vinicius Bortolato alerta que a pressão por novas moradias pode comprometer o que torna a Interpraias especial: suas praias agrestes e a vegetação preservada. O desafio será equilibrar o crescimento com a manutenção da qualidade ambiental e da vida local.

O futuro da Interpraias está em um ponto de interseção entre ser um bairro de alta renda e um destino de veraneio. Enquanto alguns veem a região como um enclave de luxo, outros a consideram uma parte vital da comunidade local, onde muitos trabalham e vivem. Assim, a Interpraias deve decidir até que ponto quer se aproximar da lógica dos Hamptons ou construir um caminho próprio no litoral catarinense.

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