A diretoria do BRB (Banco de Brasília) foi alertada sobre problemas significativos nas carteiras de crédito cedidas pelo Banco Master em agosto de 2024, mas continuou a adquirir ativos da instituição até um mês antes da sua liquidação, que ocorreu em novembro de 2025. Essa informação foi revelada no relatório da Polícia Federal (PF), que concluiu o inquérito sobre as operações entre as duas instituições e já foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF).
O documento aponta que, em 5 de agosto de 2024, Dario Garcia, diretor de Finanças e Controladoria do BRB e um dos indiciados pela PF, recebeu um alerta sobre a gravidade da situação. O relatório indicava que cerca de 90% da carteira adquirida do Master apresentava falhas ou não atendia aos critérios exigidos pelo BRB. A PF destaca que, mesmo antes do agravamento da crise, o banco já identificava problemas sistêmicos nas carteiras, incluindo inconsistências de dados e falhas de governança.
Internamente, a situação chegou a ser ironizada por Garcia, que, em novembro de 2024, recebeu outro alerta sobre uma base de R$ 93 milhões, que após análise, ficou reduzida a apenas R$ 10 milhões aproveitáveis. Em uma mensagem, ele comentou: “Que base maravilhosa!!!”.
O relatório da PF revela que, apesar das reiteradas rejeições dos ativos apresentados pelo Master, a orientação foi de continuar as aquisições. Em janeiro de 2025, uma nova carteira, inicialmente avaliada em R$ 922 milhões, foi reduzida para R$ 164 milhões após análise do BRB. As defesas de Daniel Vorcaro, do Master, e Dario Garcia foram contatadas, mas ainda não se pronunciaram sobre o caso.




