A Braskem, uma das principais petroquímicas do Brasil, tem enfrentado dificuldades significativas nos últimos anos, perdendo espaço para concorrentes estrangeiros que oferecem insumos a preços mais competitivos. Especialistas do setor destacam que a pressão sobre as margens da empresa tem aumentado, especialmente após a recente solicitação de recuperação extrajudicial protocolada pela companhia. Com uma dívida reconhecida de aproximadamente US$ 10,9 bilhões, a Braskem busca reestruturar suas operações em um cenário desafiador. O pedido de recuperação foi feito na última segunda-feira (24), e a empresa afirma ter o apoio de 39,6% dos credores envolvidos no processo. A Braskem descreve sua situação como uma “crise de liquidez significativa”, resultado de um ciclo prolongado de baixa na indústria petroquímica global, caracterizado por uma queda na demanda, excesso de oferta e uma compressão nos preços. Décio Oddone, ex-diretor-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), explica que a competitividade das empresas americanas aumentou consideravelmente, especialmente devido ao crescimento da produção de gás natural nos Estados Unidos. Isso possibilitou uma oferta maior de etano, um hidrocarboneto crucial para a produção de etileno, que é a base para a fabricação de plásticos. Em contrapartida, no Brasil, o etileno é produzido principalmente a partir de nafta, que é menos competitiva em termos de custo. “A indústria petroquímica americana tornou-se muito mais competitiva e começou a exportar produtos para o Brasil, pressionando as margens da Braskem”, afirma Oddone. Além disso, Frederico Fernandes, especialista em precificação de petroquímica na Argus, ressalta que a diminuição da demanda da China também impactou negativamente a Braskem. O país asiático, que antes era um grande importador de plásticos como polipropileno e polietileno, agora aumentou sua capacidade de produção interna. “A Braskem costumava deter entre 70% e 75% do mercado nacional de resinas. No entanto, há cerca de um ano, essa participação caiu para 49%, resultando em menos vendas e, consequentemente, em uma lucratividade reduzida”, explica Fernandes. Juliana Biolche, diretora do OBRE (Observatório da Recuperação Extrajudicial), destaca que a reestruturação da dívida da Braskem é um passo crítico para a recuperação da empresa em um mercado cada vez mais competitivo. A situação da Braskem reflete não apenas os desafios enfrentados pela empresa, mas também as mudanças estruturais da indústria petroquímica global, que exigem adaptações rápidas e eficazes por parte dos produtores locais.




