O Bradesco apresentou um resultado positivo no terceiro trimestre de 2026, com um lucro líquido de R$ 7,1 bilhões, refletindo um crescimento de 0,8% em relação ao trimestre anterior e de 14,6% na comparação anual. O resultado está alinhado com as expectativas de analistas, que previam um lucro em torno de R$ 7,116 bilhões, segundo dados da Bloomberg. Em um ambiente econômico marcado pela cautela na concessão de crédito, o banco conseguiu manter suas despesas sob controle, o que contribuiu para o aumento do lucro. Marcelo Noronha, CEO da instituição, destacou que a taxa de juros elevada e a desaceleração econômica criaram um cenário desafiador para o setor. Apesar do crescimento mais modesto nas receitas relacionadas ao crédito, o Bradesco compensou essa situação com receitas provenientes de serviços e uma gestão eficiente das despesas. A carteira de crédito total do Bradesco alcançou R$ 1,15 trilhão ao final de setembro, apresentando um crescimento de 1% em relação ao trimestre anterior e de 11% em comparação ao ano anterior. O segmento de pessoas jurídicas foi o que mais cresceu, com um aumento de 14% no estoque de crédito. No entanto, o índice de inadimplência, que considera atrasos superiores a 90 dias, subiu para 4,6%, um aumento de 0,3 ponto percentual em três meses e de 0,5 ponto percentual em um ano. Para lidar com possíveis perdas, o Bradesco reservou R$ 10,6 bilhões, um aumento de 24,3% em relação ao ano anterior e de 6,6% em relação ao trimestre. O retorno sobre o patrimônio líquido médio anualizado (ROAE) foi de 16,1%, desconsiderando o aumento de capital realizado pelo banco. Em um movimento estratégico, o Bradesco emitiu novas ações na Bolsa, aumentando sua capitalização em R$ 10 bilhões. Essa medida visa fortalecer a capacidade de investimento em tecnologia e eficiência comercial, além de apoiar a expansão dos negócios. Noronha enfatizou que essa capitalização permitirá ao banco acelerar sua transformação e melhorar a competitividade no mercado. O braço de seguros do Bradesco também apresentou resultados, com um lucro líquido de R$ 2,9 bilhões, que embora tenha registrado uma queda de 1,9% em relação ao trimestre anterior, subiu 14,1% na comparação anual. Desde que Marcelo Noronha assumiu a liderança do Bradesco em novembro de 2023, a instituição tem buscado recuperar sua performance pré-pandemia, quando o ROAE superava 20%. Para isso, o banco está implementando mudanças estruturais, incluindo a troca de diretores e a remodelação de produtos, com foco em opções mais rentáveis e menos arriscadas, além da redução da rede física de agências.




