O cenário agropecuário de 2026 apresenta desafios e oportunidades, com a soja e a pecuária bovina se destacando em meio a uma queda geral no Valor Bruto de Produção (VBP). Após um período de crescimento, o VBP deve recuar para R$ 1,44 trilhão, uma redução de 3% em relação ao ano anterior. No entanto, a soja, com uma produção estimada em 180 milhões de toneladas, deverá gerar R$ 353 bilhões, um aumento de 3,3% em relação a 2025. Este crescimento é impulsionado por uma safra recorde e uma recuperação nos preços, que passaram de R$ 125 por saca no início do ano para R$ 154 em setembro, segundo dados do Cepea.
A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) revisou suas previsões, antecipando um processamento interno de 64 milhões de toneladas, com potencial para aumentar para 66 milhões no próximo ano. As exportações devem trazer divisas de aproximadamente US$ 60 bilhões, superando os US$ 53 bilhões de 2025, com uma expectativa de alcançar US$ 69 bilhões em 2027.
Por outro lado, a pecuária bovina também apresenta resultados positivos, com uma previsão de receita de R$ 253 bilhões, o que representa um crescimento de 11%. A demanda externa tem impulsionado os preços, com a arroba do boi gordo subindo de uma média de R$ 321 em janeiro para R$ 377 em outubro, alcançando R$ 380 em algumas negociações recentes.
Esses dois setores juntos representam 42% do valor total da produção agropecuária brasileira, considerando 17 produtos do setor de lavoura e 5 do setor pecuário. O VBP é calculado com base no volume produzido e nos preços recebidos pelos produtores.
Entretanto, nem todos os produtos estão em alta. Os principais destaques negativos incluem o cacau, a laranja, o trigo, o arroz e o café, que enfrentaram quedas significativas nos preços. O cacau, por exemplo, viu uma redução de 56% em seu valor, enquanto a laranja e o café caíram 48% e 10%, respectivamente. O milho, terceiro maior valor de produção do país, também registrou uma queda de 3%, com o trigo e o arroz apresentando recuos de 28% e 24%, respectivamente. A cana-de-açúcar, vital para a região centro-sul, perdeu 7% de seu valor, caindo para R$ 112 bilhões.
Em resposta a essa realidade, a Abiarroz (Associação Brasileira da Indústria de Arroz) está promovendo uma programação especial para incentivar o consumo do arroz, um alimento que faz parte da identidade alimentar dos brasileiros. A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) estima que o consumo brasileiro de arroz atinja 10,8 milhões de toneladas por ano, destacando a versatilidade e a importância do cereal na alimentação nacional.




