Post: Banco Central pode ter que aceitar um lento processo de reinflação, alerta Samuel Pessôa

Samuel Pessôa discute como o Banco Central pode ter que aceitar um lento processo de reinflação devido a pressões econômicas.
Banco Central pode ter que aceitar um lento processo de reinflação, alerta Samuel Pessôa

As expectativas de inflação no Brasil estão se deteriorando, refletindo uma série de fatores que incluem a recente mudança no patamar do câmbio, o impacto da alteração na jornada de trabalho e as incertezas relacionadas à reforma tributária. Esta reforma, considerada por muitos como a mais significativa desde o Plano Real, pode se tornar um legado importante do terceiro mandato do presidente Lula. A equipe do BTG Pactual, liderada por Tiago Berriel, projeta que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve alcançar 5,9% em 2027, enquanto outras instituições financeiras também apresentam previsões semelhantes, indicando que a inflação brasileira está se estabilizando em torno de 6%. Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada no dia 4 de outubro, a taxa de juros foi mantida em 13,75%. O Banco Central enfrenta um dilema complexo: se priorizar a meta de inflação, poderá ter que iniciar um ciclo de aumento nas taxas de juros; por outro lado, se decidir focar na atividade econômica, que deve crescer quase nada em 2027, poderá optar por não elevar os juros, visando suavizar o ciclo econômico. Recentemente, o índice de gerentes de compras (PMI) para o setor de serviços no Brasil caiu para 44,5 em outubro, um sinal claro de contração da atividade econômica, já que um índice abaixo de 50 indica retração. Essa mudança sugere que a reversão cíclica já está em curso. A decisão do presidente Lula, em novembro de 2022, de reverter o ciclo de gastos públicos resultou em juros elevados por um longo período. A Selic de 13,75% é a mesma que vigorava quando Lula reassumiu a presidência em janeiro de 2023. O impacto disso é visível nas empresas e nas famílias, que enfrentam um aumento significativo nas recuperações judiciais e na inadimplência. Apesar de indicadores de emprego e renda favoráveis, o comprometimento da renda das famílias está em níveis históricos. O governo Lula, com a intenção de acelerar a construção de um Estado de bem-estar, está aumentando os gastos primários a uma taxa de 21%, enquanto o crescimento do PIB deve ser de apenas 11%. Essa discrepância pressiona a base econômica e, consequentemente, eleva os juros. A possibilidade de um ciclo de aperto monetário é preocupante. Se um aumento nas taxas de juros resultar em um número elevado de recuperações judiciais, isso pode se tornar insustentável. Nesse cenário, o Banco Central poderia ser forçado a aceitar um aumento gradual da inflação, mesmo sem estar próximo da dominância fiscal, que ocorre quando a dívida pública é tão alta que os juros perdem a capacidade de controlar a demanda. Entretanto, o que se observa é uma aproximação do que poderia ser chamado de “dominância do setor real”. A pressão sobre a economia real devido a um novo aperto monetário pode ser tão intensa que o Banco Central opte por permitir um processo de reinflação mais lento. Em uma recente live do think tank Cebri, o economista André Lara Resende mencionou que Samuel Pessôa foi a única pessoa com quem ele debateu sobre esses temas. Essa discussão ressalta a importância de um diálogo aberto sobre as complexidades da política monetária e suas implicações para a economia brasileira.

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