Post: O que acontece após a apuração dos votos em Israel

Após 90% dos votos apurados, o Likud de Netanyahu lidera, mas a formação do governo depende de negociações que podem durar semanas.
O que acontece após a apuração dos votos em Israel

Com cerca de 90% dos votos apurados, o Likud, partido de Binyamin Netanyahu, mantém a liderança nas eleições em Israel, mas a formação do novo governo ainda depende de negociações que podem se estender por semanas. O fim da apuração, que deve ser concluído em breve, definirá a composição do Parlamento, mas não a identidade do próximo primeiro-ministro. O Likud e seus aliados somam 53 das 120 cadeiras do Knesset, enquanto a oposição conta com 48 assentos e os partidos árabes têm 19. Esses números ainda podem mudar, já que as disputas entre os principais blocos estão acirradas e sem uma maioria clara.

Os israelenses não elegem diretamente o primeiro-ministro; na verdade, na terça-feira (27), eles votaram em 36 listas que competiam pelas cadeiras do Parlamento. A participação foi de 77,7%, a maior desde 1999. Os assentos são distribuídos proporcionalmente entre as legendas que superam 3,25% dos votos, conforme a cláusula de barreira.

Para formar um governo, é necessário alcançar a maioria absoluta de 61 parlamentares, um feito que nenhum partido conseguiu sozinho até hoje. Por isso, mesmo a legenda que obtiver mais cadeiras precisará estabelecer alianças. A soma dos assentos de cada bloco será crucial para a formação do governo.

O primeiro passo após a apuração é a publicação oficial dos resultados, que deve ocorrer em até oito dias após a eleição, ou seja, até quarta-feira (4). Nos sete dias seguintes, o presidente Isaac Herzog consultará os partidos e indicará um parlamentar para formar o governo. Essa escolha não precisa ser do líder da legenda mais votada, mas deve ser alguém que consiga conquistar a confiança do Knesset.

O parlamentar escolhido terá 28 dias para negociar a formação do gabinete, prazo que pode ser prorrogado por mais 14 dias. Se um acordo for alcançado, ele apresentará ao Knesset seu programa e a composição do governo, que precisará de um voto de confiança. Somente após essa aprovação o novo primeiro-ministro assumirá, e até lá, Netanyahu continuará em seu cargo.

Caso o primeiro indicado não consiga formar um governo, Herzog poderá nomear outro parlamentar, que terá 28 dias improrrogáveis para tentar. Se não houver acordo ou se a formação do governo for considerada inviável, uma maioria de deputados poderá indicar um novo nome para a última tentativa, com um prazo de 14 dias. Se essa tentativa também falhar, novas eleições deverão ser convocadas em até 90 dias.

Se algum bloco conseguir reunir 61 parlamentares, o processo de formação do governo será mais simples. Sem essa maioria, pode surgir um governo minoritário, que contaria com o apoio de partidos fora da coalizão, ou um gabinete de unidade nacional, envolvendo adversários.

Os dois principais nomes cotados para liderar o novo governo são Netanyahu, que busca prolongar sua longa trajetória no cargo, e o ex-chefe das Forças Armadas, Eisenkot. Netanyahu, que já acumula mais de 19 anos como primeiro-ministro, conta com o apoio de forças religiosas e de extrema direita, representadas por ministros como Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich. No entanto, a questão da dispensa militar dos ultraortodoxos já gerou tensões entre aliados e deve influenciar as negociações para a formação do governo.

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