O Alibaba, gigante chinês de comércio eletrônico e computação em nuvem, anunciou planos para levantar US$ 10,2 bilhões (aproximadamente R$ 52,6 bilhões) por meio de uma colocação de ações. Essa iniciativa surge em um contexto de crescente competição no setor de inteligência artificial (IA), onde a empresa busca consolidar sua posição frente a concorrentes globais. A companhia afirmou que todos os recursos obtidos serão direcionados para expandir suas capacidades em IA, incluindo o aprimoramento de sua infraestrutura tecnológica.
A decisão de levantar capital ocorre em um momento de otimismo no mercado acionário chinês, que tem visto as avaliações de empresas de tecnologia atingirem níveis recordes. O Alibaba destacou que pretende utilizar 100% dos recursos líquidos da oferta para investir em suas inovações em IA, refletindo uma estratégia agressiva de crescimento no setor. Recentemente, a empresa reportou uma saída de caixa livre de US$ 6,6 bilhões (R$ 34 bilhões) no último trimestre, junto a uma queda de 75% no lucro líquido, que ficou em cerca de US$ 1,5 bilhão (R$ 7,7 bilhões), evidenciando o aumento dos gastos com tecnologia.
O entusiasmo por investimentos em IA tem gerado uma onda de atividades nos mercados de capitais da China, com ofertas e estreias de ações atingindo números impressionantes. O lançamento do Kimi K3, da Moonshot, considerado o maior modelo de IA da China até o momento, e a abertura de capital da fabricante de chips CXMT, que arrecadou US$ 8,6 bilhões (R$ 44,3 bilhões), são exemplos dessa euforia. As ações da CXMT dispararam 466% em sua estreia na bolsa.
Além disso, a Unitree, uma empresa de robótica humanoide, levantou US$ 900 milhões (R$ 4,6 bilhões) na semana passada, com suas ações subindo mais de 600% após a demanda superar em mais de 5.500 vezes o lote disponível para investidores de varejo. Esse cenário evidencia o apetite dos investidores por empresas ligadas à tecnologia e inovação.
A colocação de ações do Alibaba acontece pouco depois do lançamento do seu mais recente modelo de IA, o Qwen 3.8-Max, que se destacou em áreas como programação, onde robôs são capazes de escrever e corrigir códigos com base em orientações gerais fornecidas por humanos. Entretanto, a empresa enfrenta desafios regulatórios nos Estados Unidos, onde foi incluída em uma lista de restrições do Pentágono, junto com outras empresas chinesas, devido a preocupações relacionadas à segurança nacional.
O Alibaba está contestando essa ordem judicial, afirmando que não possui vínculos com o Exército de Libertação Popular e que não participa de atividades de fusão civil-militar. A situação se torna ainda mais complexa com a iminente cúpula entre o líder chinês Xi Jinping e o presidente dos EUA, Donald Trump, onde questões como controle de exportação e restrições a empresas de tecnologia devem ser discutidas. Essa reunião poderá influenciar diretamente o futuro das relações comerciais entre os dois países e o cenário de investimentos em tecnologia.



