Aliados do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, têm defendido a adoção de medidas extraordinárias, incluindo um decreto de lei marcial, caso considerem que as eleições legislativas de 3 de novembro sejam fraudulentas. As propostas, que incluem a apreensão de cédulas e equipamentos de votação, estão sendo discutidas publicamente por integrantes do movimento Maga (faça a América grandiosa novamente), que têm acesso direto ao republicano. A lei marcial transfere funções civis aos militares, como o policiamento, e pode restringir direitos. Nos Estados Unidos, limites constitucionais tornam controverso o poder presidencial de decretá-la unilateralmente.
Reveladas pelo Axios na última sexta-feira (16), as discussões ocorrem a menos de duas semanas das midterms, as eleições de meio de mandato que definirão o controle do Congresso nos dois últimos anos de Trump. Apesar das alegações, não há evidências de fraude generalizada. Questionada pela Folha, a Casa Branca não respondeu se o presidente discutiu as propostas. A porta-voz Lauren Bis defendeu as medidas do governo e acusou os democratas de rejeitar o combate a irregularidades.
“O presidente Trump fez mais do que qualquer outro presidente para garantir que tenhamos eleições livres e justas. Todos os americanos deveriam se perguntar por que a esquerda radical continua lutando contra medidas de bom senso para garantir a integridade eleitoral, como a exigência de identificação dos eleitores e a verificação de cidadania, para assegurar que apenas americanos decidam nossas eleições”, afirmou.
A porta-voz acrescentou que, enquanto os democratas e a imprensa minimizam preocupações com fraudes, o governo está adotando medidas para proteger o processo eleitoral. Isso inclui a investigação de crimes eleitorais, o reforço da segurança da infraestrutura de votação e a proteção de eleitores vulneráveis contra fraudes e coerção. A Casa Branca, porém, não esclareceu se Trump concorda com a possibilidade de decretar lei marcial ou se chegou a discutir a proposta com os ativistas. Um dos defensores da medida é Peter Ticktin, advogado e amigo de infância do presidente, que participou em 30 de setembro de uma reunião virtual de ativistas conservadores transmitida pela plataforma Rumble.
Na ocasião, Ticktin afirmou que seria necessário recorrer à lei marcial diante de outra eleição que considerasse fraudada. O advogado também discutiu a possibilidade de apreender cédulas e equipamentos eleitorais para garantir a integridade do processo. As declarações de Ticktin e o apoio de outros aliados a essa abordagem levantam preocupações sobre a possibilidade de uma escalada nas tensões políticas e na segurança das eleições nos Estados Unidos, em um momento em que a polarização política é mais intensa do que nunca.



