Empresários, produtores e entidades do agronegócio brasileiro estão se mobilizando em uma campanha humanitária para arrecadar alimentos destinados às vítimas dos terremotos que atingiram a Venezuela no último dia 24. A iniciativa visa enviar, a partir da próxima semana, produtos não perecíveis como arroz, feijão, açúcar, farinha de trigo e óleo de soja, utilizando caminhões, já que o Aeroporto Internacional Simón Bolívar, em Maiquetía, permanece fechado.
Antônio Cabrera, empresário e ex-ministro da Agricultura, é um dos idealizadores da ação e destaca a importância do setor agrícola, que já exporta para mais de 200 países, em contribuir para a solidariedade e ajuda humanitária. “Estamos estudando a possibilidade de enviar cargas refrigeradas com carne e frango”, afirmou.
A arrecadação dos alimentos está sendo coordenada pela Associação Brasileira dos Produtores de Soja e Milho de Roraima (Aprosoja Roraima), localizada em Boa Vista. Os carregamentos partirão para Pacaraima, na divisa com a Venezuela, e seguirão até Santa Elena de Uairén, antes de chegar a Caracas. Os alimentos serão recebidos pela Confederação de Associações de Produtores Agropecuários da Venezuela (Fedeagro), que atuará em parceria com a Cáritas Venezuela para a distribuição dos donativos.
Murilo Ferrari, presidente da Aprosoja Roraima, informou que, nos primeiros dias da campanha, já foram arrecadadas cerca de 15 toneladas de arroz. “Dependendo do que conseguirmos nesta semana, talvez já possamos enviar um comboio completo”, explicou.
A Venezuela sofreu dois fortes terremotos no dia 24, com o principal tremor alcançando a magnitude de 7,5, apenas 39 segundos após um primeiro abalo de 7,2. O mais recente balanço das autoridades venezuelanas indicou que 6.461 pessoas foram resgatadas e 2.295 mortes foram confirmadas, além de 11.267 feridos.
Produtores interessados em participar da campanha podem entrar em contato com a Aprosoja Roraima pelo número (95) 99153-7519. A mobilização do agronegócio brasileiro demonstra um forte espírito de solidariedade em momentos de crise, reafirmando o papel fundamental do setor na ajuda humanitária.


