Um grave acidente ferroviário na Espanha resultou na morte de ao menos 30 pessoas na manhã desta quarta-feira (28). A colisão entre dois trens de alta velocidade ocorreu na província de Toledo, a cerca de 150 km de Madri, e o número de vítimas pode aumentar conforme as equipes de resgate continuam a trabalhar no local. As informações foram divulgadas pelas autoridades locais, que estão monitorando a situação de perto.
O acidente aconteceu por volta das 8h54, horário local, entre os municípios de Los Yébenes e Urda. De acordo com os serviços de emergência, um trem da Renfe, a operadora ferroviária estatal, colidiu com outro da empresa privada Iryo, que estava parado na via nas proximidades da estação de Urda. Imagens do local mostram os dois comboios, um vermelho e outro branco, parcialmente descarrilados, com vagões tombados e dois deles caindo por um barranco. A circulação ferroviária entre Madri e a Andaluzia foi suspensa imediatamente após o acidente.
O trem da Renfe havia partido de Madri às 8h com destino a Sevilha, e mais de 540 pessoas estavam a bordo das duas composições. As circunstâncias que levaram à colisão ainda estão sendo investigadas pelas autoridades competentes. Várias equipes de bombeiros e três helicópteros foram enviados ao local para auxiliar nas operações de resgate. O Ministério do Interior também mobilizou integrantes da Unidade Militar de Emergências para ajudar no atendimento às vítimas.
A ministra da Saúde, Mónica García, comentou sobre a tragédia em entrevista à TV pública, afirmando que o acidente pode se revelar uma “grande tragédia”. O presidente da região de Castela-Mancha, Emiliano García-Page, cancelou sua agenda para ir ao local do acidente e lamentou as mortes. Segundo ele, foram encontrados 24 corpos no trem da Renfe e 6 no da Iryo, mas o número pode aumentar, já que as equipes ainda não conseguiram acessar todos os vagões.
Centros de atendimento a familiares foram estabelecidos na estação de Atocha, em Madri, e em Sevilha, para oferecer suporte às pessoas afetadas. A presidente regional de Madri, Isabel Díaz Ayuso, fez um apelo em suas redes sociais pedindo doações de sangue para ajudar os feridos.
Em meio à tragédia, o primeiro-ministro Pedro Sánchez cancelou sua agenda do dia, e o Partido Socialista (PSOE), do qual é líder, suspendeu as atividades de campanha. O país se prepara para eleições antecipadas no próximo mês, e outros partidos também decidiram cancelar seus compromissos de campanha em respeito às vítimas.
Por outro lado, o líder do partido de ultradireita Vox, Santiago Abascal, criticou a postura de alguns políticos que, segundo ele, se comportam como “carpideiras” após tragédias. Ele fez essas declarações durante um evento em Valladolid, onde seus apoiadores manifestaram descontentamento em relação a Sánchez. Abascal afirmou que muitos tentarão usar a dor e o luto para silenciar as críticas sobre a deterioração da infraestrutura ferroviária, que, segundo ele, já não pode ser mais suportada.
Com uma malha ferroviária de alta velocidade que se estende por 4.000 km, a Espanha possui a segunda maior rede do mundo. Este acidente ocorre menos de um ano após outro desastre ferroviário em Adamuz, o que levanta preocupações sobre a segurança das operações ferroviárias no país.



