Após um mês de apuração tumultuada, o Peru finalmente conheceu os candidatos que disputarão o segundo turno das eleições presidenciais, agendado para o dia 7 de junho. A disputa polariza o cenário político do país, que ainda elegeu 130 deputados e 60 senadores para os próximos cinco anos, em meio a uma crise política que já resultou na escolha do nono presidente em uma década.
A candidata de direita, Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, obteve 17,18% dos votos, enquanto o candidato de esquerda, Roberto Sánchez Palomino, ficou com 12,03%. Sánchez, que foi ministro do ex-presidente Pedro Castillo, deposto e preso sob acusação de tentativa de golpe, enfrenta Fujimori em uma eleição marcada por tensões e controvérsias.
Contexto eleitoral e crise política
O Peru, país com cerca de 34 milhões de habitantes e uma fronteira de 2,9 mil quilômetros com o Brasil, tem enfrentado uma crise política sem precedentes. Desde a eleição de Pedro Castillo em 2021, que surpreendeu ao vencer Fujimori no segundo turno, o cenário político se tornou cada vez mais instável. Castillo foi afastado e preso após tentar dissolver o Parlamento, levando a uma série de protestos e à ascensão de Dina Boluarte, sua vice, que também enfrentou forte oposição e acabou destituída pelo Congresso.
O processo eleitoral atual foi tumultuado por atrasos em centros de votação, denúncias infundadas de fraude por parte de candidatos derrotados e a renúncia da autoridade eleitoral. Apesar das dificuldades, missões da União Europeia e da Organização dos Estados Americanos (OEA) afirmaram que não houve evidências de fraude, embora a situação tenha gerado desconfiança entre a população.
Os protagonistas da disputa
Keiko Fujimori, que já perdeu em três eleições anteriores, tenta agora reverter sua má sorte política. Sua plataforma inclui uma aproximação com os Estados Unidos, o que pode impactar os investimentos chineses no Peru, especialmente no Porto de Chancay, um importante ponto de escoamento de produtos para a Ásia. A resistência à sua figura, devido à herança política de seu pai, pode ser um obstáculo significativo em sua campanha.
Por outro lado, Roberto Sánchez, alinhado ao ex-presidente Castillo, promete uma agenda progressista, incluindo a nacionalização de recursos naturais e a convocação de uma nova constituinte. Sua trajetória como ministro e sua formação em psicologia o posicionam como um candidato que busca representar os interesses da população rural, frequentemente negligenciada pela elite política.
Denúncias e repercussões
Recentemente, o Ministério Público do Peru apresentou uma acusação criminal contra Sánchez, solicitando sua prisão por supostas irregularidades financeiras em sua campanha. O candidato nega as acusações e afirma que já houve um arquivamento anterior do caso. Essa situação adiciona mais uma camada de complexidade à já conturbada corrida eleitoral.
A apuração das urnas e as denúncias de irregularidades geraram um clima de incerteza, mas a proclamação oficial dos resultados está marcada para o dia 17, após um processo de recontagem de votos. A expectativa é que essa fase final traga mais clareza ao cenário político peruano.
O futuro do Peru
A eleição de 2026 não é apenas uma disputa entre candidatos, mas um reflexo das profundas divisões sociais e políticas que marcam o Peru. A polarização entre a direita e a esquerda é evidente, e a escolha do próximo presidente poderá determinar o rumo do país nos próximos anos. Com uma população cansada de crises e instabilidade, a esperança é que o novo governo consiga restaurar a confiança nas instituições e promover um diálogo construtivo.
O Peru vive um momento crucial em sua história política, e o resultado das eleições pode ter repercussões significativas não apenas para o país, mas para toda a América do Sul. Continue acompanhando o Clique Agora para mais informações sobre este e outros temas relevantes.




