A aposentadoria de Cristiano Ronaldo da seleção portuguesa, anunciada na última quinta-feira (5), gerou um intenso debate sobre o futuro da icônica camisa 7, que o atacante vestiu por mais de duas décadas. Embora muitos torcedores e ex-jogadores defendam a retirada do número como uma homenagem ao craque de 41 anos, uma regra da Fifa impede que essa ideia seja concretizada nas competições oficiais. O regulamento da Fifa estipula que os atletas inscritos na Copa do Mundo devem receber números sequenciais, que vão de 1 a 26. A UEFA também possui normas semelhantes para suas competições, como a Liga das Nações, onde os jogadores devem utilizar números de 1 a 23 na fase de grupos e de 1 a 26 na fase final. A Argentina já enfrentou um desafio semelhante antes da Copa do Mundo de 2002, quando tentou aposentar a camisa 10 de Diego Maradona. A AFA (Associação do Futebol Argentino) anunciou a retirada do número, mas a Fifa rejeitou a proposta, alegando que contrariava o regulamento. A discussão também envolve Lionel Messi, que, após sua última partida pela seleção argentina em outubro, viu a camisa 10 continuar disponível para jogos oficiais. Em Portugal, a possibilidade de aposentar a camisa 7 divide opiniões entre ex-jogadores. Durante uma cerimônia de premiação em Lisboa, o ex-atacante Paulo Futre defendeu a retirada do número, afirmando que “a camisa 7 tem de ser retirada da seleção, o Cristiano tem de sair em grande”. Por outro lado, Humberto Coelho, ex-técnico da seleção e vice-presidente da Federação Portuguesa de Futebol, argumentou que o número deve continuar a ser utilizado, ressaltando que Cristiano Ronaldo tornou o 7 um número especial. A camisa 7 já foi utilizada por outros jogadores durante as ausências de CR7. Recentemente, Rafael Leão vestiu o número após um desentendimento entre Ronaldo e o técnico Jorge Jesus. Outros candidatos para o número incluem Pedro Neto, do Chelsea, e Francisco Conceição, da Juventus. A saída de Ronaldo da concentração ocorreu após ele permanecer no banco durante a vitória por 2 a 1 sobre a Noruega, no final de setembro. O atacante deixou a equipe em Copenhague na véspera da partida contra a Dinamarca. Em outubro, ele pediu desculpas aos torcedores e companheiros, mas afirmou que Jorge Jesus não cumpriu acordos entre eles. O treinador, por sua vez, disse que Ronaldo poderia voltar à seleção se desejasse. Ronaldo estava na pré-lista de Jorge Jesus para os próximos compromissos da Liga das Nações, competição na qual Portugal já garantiu vaga nas quartas de final. O treinador afirmou que só soube da aposentadoria do craque após o anúncio público. Em um vídeo publicado no Instagram, Ronaldo declarou que chegou o momento de devolver “a camisa 7 da seleção de todos nós”, enfatizando que nunca a sentiu como exclusivamente sua. Ao longo de 23 anos, ele teve o privilégio de defendê-la em estádios ao redor do mundo, marcando 146 gols em 234 partidas, estabelecendo recordes de gols e jogos por seleções masculinas. Ronaldo conquistou a Eurocopa em 2016, o primeiro grande título da seleção portuguesa, e também venceu a Liga das Nações em 2019 e 2025. Na segunda campanha vitoriosa, ele marcou um gol decisivo na final contra a Espanha, que terminou em vitória nos pênaltis. A despedida de Cristiano Ronaldo também levanta preocupações sobre o futuro comercial da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), dado que ele é o jogador mais associado a outdoors em Portugal e o mais querido pelas crianças. Segundo informações do jornal O Jogo, os principais contratos de patrocínio da FPF estão assegurados até 2030, ano em que Portugal co-organizará a Copa do Mundo com Espanha e Marrocos. Daniel Sá, diretor executivo do Instituto Português de Administração de Marketing, alertou para os desafios que a federação poderá enfrentar após a saída de Ronaldo, sugerindo que será necessário desenvolver uma estratégia comercial menos dependente de uma única figura. Uma alternativa seria manter Ronaldo como embaixador informal do futebol português, preservando sua ligação com a seleção.



