A recepção do papa Leão 14 no Uruguai, ocorrida na última sexta-feira (6), foi marcada pela presença vibrante de caravanas de brasileiros que cruzaram a fronteira para acompanhar a visita do líder religioso. Em meio a uma multidão que se aglomerava para saudar o pontífice, era comum ouvir o português e avistar bandeiras verde e amarelas, evidenciando a animação dos visitantes em contraste com a recepção mais contida do país, conhecido por seu caráter secular. Dados da Direção Nacional de Migração do Uruguai indicam que, entre a última quinta-feira (5) e o meio-dia do sábado (7), mais de 47,5 mil pessoas entraram no país, um número consideravelmente superior à média de 14 mil que costuma ingressar em um fim de semana normal. Essa movimentação foi impulsionada pela expectativa em torno da vigília de oração que aconteceu no Estádio do Centenário, em Montevidéu, no dia da chegada do papa. O aumento no fluxo de visitantes era esperado, especialmente entre os moradores do sul do Brasil, que viam a visita do papa ao Uruguai como uma oportunidade mais acessível do que uma possível visita ao Brasil, onde o pontífice provavelmente se concentraria nas grandes cidades como Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo, além de locais com forte apelo religioso, como Aparecida. Para facilitar a entrada dos visitantes, o governo uruguaio reforçou o efetivo de funcionários nos postos de imigração e restringiu temporariamente o transporte de cargas em duas pontes que conectam o país à Argentina. Desde o anúncio da visita do papa, em agosto, paróquias, dioceses e grupos religiosos do sul do Brasil se mobilizaram para organizar caravanas. O padre Douglas Kaefer Klug, da Diocese de Uruguaiana, foi um dos responsáveis por reunir 175 pessoas em quatro ônibus com destino a Paysandú, a 340 km da cidade gaúcha. “Se ele viesse ao Brasil, para nós certamente seria inviável, porque provavelmente ele iria para o centro do país”, comentou o religioso. Em Paysandú, o papa celebrou sua primeira missa em uma viagem que se estenderá por 12 dias pela América do Sul, incluindo Argentina e Peru. Durante a cerimônia, Leão 14 fez um apelo para que a região supere divisões e priorize a “construção de pontes”, reiterando a importância da diplomacia regional, um tema que já havia abordado em seu discurso inaugural na véspera. Multidões se reuniram ao ar livre para aguardar a chegada do papa, enfrentando uma intensa chuva que só diminuiu pouco antes de sua chegada. Leão 14 se tornou o primeiro papa a visitar a cidade, que é um importante centro econômico no noroeste do Uruguai. A visita do papa ao Uruguai representa um marco histórico e espiritual para o país, que não recebia um líder da Igreja Católica há quase quatro décadas. A expectativa e a mobilização em torno do evento refletem a relevância da figura papal na vida religiosa e social dos países latino-americanos, especialmente em um momento em que a unidade e a paz são mais necessárias do que nunca.



