A crise no Ueno Bank, um dos principais bancos do Paraguai, tem gerado grandes preocupações entre brasileiros que residem no país. Com a intervenção do Banco Central paraguaio, muitos clientes, incluindo imigrantes, se veem com suas economias bloqueadas. Renata de Brito, uma brasileira de 44 anos, é um dos casos que exemplificam essa situação. Ela não conseguiu acessar sua conta no banco, onde guardava suas economias e recebia pagamentos de sua lanchonete em Hernandarias, cidade próxima à fronteira com o Brasil. “Estou muito preocupada pelo meu negócio”, desabafa Renata, que depende da maquininha de pagamentos do Ueno Bank para operar. A intervenção no Ueno Bank ocorreu após a constatação de que seu índice de solvência havia caído para menos da metade do mínimo exigido. A crise resultou na renúncia do presidente paraguaio, Santiago Peña, e deixou cerca de 3 milhões de clientes, que representam 60% da população adulta do país, com suas economias bloqueadas. O Fundo de Garantia de Depósitos do Paraguai cobre depósitos de até 228 milhões de guaranis por pessoa, aproximadamente R$ 211 mil, mas ainda não está claro se o banco conseguirá ressarcir valores acima desse limite. O economista Alexandre Barros da Costa, que estuda a economia paraguaia, alerta que a crise pode impactar dezenas de milhares de brasileiros que escolheram o Ueno Bank pela facilidade de abertura de contas. “A falta de burocracia fez com que se tornasse a primeira opção para muitos estudantes e pequenos comerciantes”, explica. Renata, por exemplo, escolheu o banco pela sua ampla divulgação e pela promessa de um serviço acessível. A situação é ainda mais preocupante para aqueles que, como Renata, têm contas bloqueadas e pagamentos a fazer. Ela teme não conseguir pagar a parcela de um apartamento que comprou até o fim de novembro. “Meu plano B é tentar realocar recursos que ainda recebo no Brasil devido à venda de um sítio”, diz. Estima-se que cerca de 270 mil brasileiros vivam no Paraguai, a maior comunidade na América do Sul. Muitos deles se mudaram recentemente, atraídos por melhores condições econômicas e políticas. A empresária Erika Silva, que também possui conta no Ueno Bank, afirma que, apesar do bloqueio de recursos, não pretende desistir de sua mudança. O economista Costa ressalta que, apesar da crise, os dados macroeconômicos do Paraguai permanecem estáveis, e a situação não deve levar a uma desestabilização do sistema financeiro. No entanto, ele aponta que o impacto imediato será sentido na redução do consumo das famílias e nas dificuldades enfrentadas por pequenos comerciantes que dependem dos pagamentos bloqueados. A crise no Ueno Bank gerou uma corrida por outros bancos, com muitos clientes buscando alternativas para acessar novamente o sistema financeiro. Renata, por exemplo, tem enfrentado filas para abrir uma nova conta e conseguir uma nova maquininha de pagamentos. Ela espera que a situação se resolva em breve e que seus recursos sejam devolvidos. “Estou esperançosa, mas a incerteza é grande”, conclui.




