O dólar abriu em alta nesta terça-feira (3), com investidores reagindo à proposta do economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, que sugere a redução da taxa Selic por meio de um novo arranjo entre as políticas fiscal e monetária. A expectativa em torno das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, que ocorrem hoje, também influencia o mercado. Analistas aguardam um possível avanço do Partido Democrata, que é oposição ao presidente Donald Trump.
Por volta das 9h40, a moeda americana subia 0,88%, cotada a R$ 5,494, um aumento mais significativo do que o observado no exterior, onde o dólar se mantinha estável, com alta de apenas 0,07%. A proposta de Lara Resende, que defende que o problema fiscal do Brasil reside nos juros e não nos gastos primários, foi reavivada em um artigo publicado no final de setembro. Segundo ele, a taxa Selic elevada faz com que os encargos da dívida cresçam em um ritmo que a produção de riqueza do país não consegue acompanhar, o que explica a trajetória explosiva da dívida pública brasileira.
Atualmente, a dívida bruta do Brasil está em 82,9% do PIB, o maior nível desde 2021. Para equilibrar essa situação, a Folha de S.Paulo informou que seria necessário um ajuste de pelo menos R$ 250 bilhões nos próximos quatro anos. Lara Resende sugere que a solução pode ser um “tabelamento” da taxa Selic, que atualmente está em 13,75% ao ano e permanece em dois dígitos desde 2022. A proposta, que começou a circular no final de semana, gerou apreensão entre analistas. Economistas alinhados ao PT expressaram oposição à ideia, argumentando que a mera consideração da proposta pode gerar ruídos desnecessários no mercado.
No cenário internacional, os eleitores americanos estão decidindo hoje sobre os 435 deputados e cerca de um terço do Senado (35 de 100). Atualmente, os republicanos controlam ambas as casas do Congresso, o que proporciona a Trump uma base favorável. Uma possível vitória dos democratas na Câmara poderia abrir espaço para investigações sobre decisões da Casa Branca, incluindo a concessão de vistos a Flávio Bolsonaro (PL) e a possível participação de autoridades americanas em sua saída do Brasil após a derrota para Lula (PT). Além disso, a política tarifária de Trump, que gerou atritos com o Brasil durante seu segundo mandato, poderia ser alvo de escrutínio parlamentar. Embora as investigações não sejam necessariamente direcionadas ao Brasil, elas podem envolver negociações comerciais com outros países.
Na última sexta-feira (30), o dólar fechou em alta de 1,12%, cotado a R$ 5,447, registrando a maior cotação desde 30 de dezembro de 2025, quando encerrou o pregão a R$ 5,4879. O aumento ocorreu em um dia marcado pela formação da taxa Ptax de fim de mês e pela divulgação de dados do mercado de trabalho brasileiro. O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, recuou 0,74%, atingindo 167.921 pontos, o menor patamar desde 19 de agosto.



