A Coreia do Norte negou qualquer envolvimento no roubo de US$ 6,3 bilhões da Binance, ocorrido na última quinta-feira (29). Em resposta às acusações do FBI, a nação classificou as alegações como uma “retórica absurda” e uma “acusação banal”. De acordo com as autoridades norte-americanas, o ataque foi realizado pelo grupo de hackers TraderTraitor, supostamente vinculado ao regime de Kim Jong-Un, que também foi acusado de um roubo anterior de US$ 1,5 bilhão da corretora Bybit em fevereiro de 2025.
Kim Yo-Jong, irmã do líder norte-coreano, declarou que as acusações demonstram a hostilidade contínua dos Estados Unidos em relação a Pyongyang. Em uma reportagem divulgada pela agência estatal KCNA, ela afirmou que o FBI tenta rotular a Coreia do Norte como um “Estado cibercriminoso”. “É uma grave provocação política induzir a opinião pública a acreditar que todos os crimes cibernéticos são de nossa autoria”, disse.
Especialistas em segurança cibernética apontam que hackers da Coreia do Norte estão entre os mais ativos no roubo de criptomoedas, e que os recursos obtidos são utilizados para financiar o desenvolvimento de armas nucleares e mísseis balísticos. A empresa de análise de blockchain Elliptic revelou que, em 2026, grupos ligados ao país teriam roubado US$ 7,6 bilhões em criptomoedas, a maior quantia registrada até hoje.
Analistas em Seul destacam que a resposta rápida de Pyongyang reflete preocupações sobre possíveis sanções mais rigorosas que poderiam interromper as fontes de receita do país, fundamentais para a manutenção do regime e o desenvolvimento de armamentos. Lim Eul-chul, professor do Instituto de Estudos do Extremo Oriente da Universidade Kyungnam, afirmou que o roubo de criptomoedas se tornou um dos principais canais de financiamento para a Coreia do Norte, especialmente com as sanções já em vigor.
O banco central da Coreia do Sul estimou o PIB da Coreia do Norte em 47,18 trilhões de wons (US$ 35,09 bilhões) em 2025, o que significa que o roubo da Binance poderia representar cerca de um sexto da produção econômica do país. A empresa de análise Chainalysis também indicou que 89% das perdas por invasões envolvendo criptomoedas em 2026 estavam ligadas à Coreia do Norte, um aumento significativo em relação a 15% em 2021.
Os hackers, segundo analistas, devem levar meses para lavar os US$ 6,3 bilhões roubados. Embora tenham começado imediatamente a movimentar os criptoativos, o processo de lavagem será longo e complexo, dificultando o rastreamento das transações. Phil Larratt, diretor sênior da Chainalysis, afirmou que a movimentação dos recursos pode levar semanas, meses ou até anos, com os hackers buscando oportunidades para converter os ativos em dinheiro.
Os mercados de finanças descentralizadas e serviços de troca de criptoativos são essenciais para essa operação de lavagem. Os hackers utilizam métodos sofisticados para dividir e enviar os recursos a milhares de novas carteiras, acelerando a movimentação do dinheiro e dificultando o rastreamento. A blockchain Tron, considerada uma ferramenta importante para lavadores de dinheiro, tem sido utilizada devido às suas transações rápidas e baixas taxas.
A Binance, por sua vez, continua investigando como os hackers comprometeram seus sistemas e está colaborando com o FBI e empresas de análise de blockchain para rastrear os recursos. A empresa anunciou que reembolsará todos os tokens roubados, utilizando recursos próprios, incluindo cerca de US$ 1 bilhão em bitcoin mantido em seu fundo de emergência. Richard Tang, co-CEO da Binance, destacou a solidez financeira da empresa, afirmando que 95% dos tokens afetados já foram repostos.



