A agência de classificação de risco Fitch anunciou uma mudança significativa na perspectiva da nota de crédito da França, rebaixando-a de estável para negativa. A decisão, considerada extraordinária, ocorreu logo após a divulgação de dados que revelaram uma contração inesperada da economia francesa no terceiro trimestre. Embora a classificação do país permaneça em A+, a Fitch destacou preocupações com o crescimento econômico, custos de financiamento elevados e um déficit crescente desde a última avaliação, realizada em agosto.
A agência enfatizou que esses fatores agravam uma situação já delicada, citando a fragmentação política e um ambiente social desafiador que dificultam a implementação de um ajuste fiscal sustentável. Com essa reavaliação, a Fitch se torna a mais pessimista entre as principais agências de classificação. Enquanto a S&P Global Ratings mantém a nota A+ com perspectiva estável, a Moody’s também optou por manter sua classificação em Aa3, mas com uma perspectiva negativa.
A economia da França, a segunda maior da zona do euro, encolheu 0,1% no terceiro trimestre, um resultado que surpreendeu economistas que esperavam crescimento. Essa contração aumenta a pressão sobre o governo para aprovar um Orçamento para 2027 que vise a redução do déficit. O ministro das Finanças, Roland Lescure, ressaltou a urgência de um Orçamento responsável, visando restaurar as contas públicas e reduzir o déficit a 5%. Investidores expressam crescente preocupação com a capacidade da França de gerenciar sua dívida, que se aproxima de 120% do PIB. Essa apreensão é acentuada pela proximidade das eleições presidenciais, onde a extrema direita lidera as pesquisas. Os juros dos títulos soberanos franceses de dez anos estão em torno de 5%, e a diferença em relação aos rendimentos dos papéis alemães aumentou para níveis não vistos desde a crise da dívida soberana da zona do euro em 2011.
Além disso, as semanas de protestos contra cortes na educação e o aumento do custo de vida devem continuar, desafiando a disposição do governo em evitar o método tradicional de conter a insatisfação social por meio do aumento dos gastos públicos. Marchas estão programadas para ocorrer em várias cidades da França, e as autoridades permanecem em alerta máximo após os protestos de 17 de outubro, que resultaram em episódios de violência e saques. A Fitch observou que a economia francesa, apesar dos desafios, ainda é sustentada por uma base sólida, com instituições robustas e um setor bancário resiliente.




