A recente alta no preço do querosene de aviação (QAV) impactou diretamente as projeções de crescimento da malha aérea doméstica brasileira, levando a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) a revisar sua previsão de expansão de 9,4% para 4,2% em novembro, em comparação ao mesmo mês do ano anterior. De acordo com dados do Sistema de Registro de Operações (Siros), da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), em abril deste ano, estavam previstos 69.545 voos domésticos para novembro. No entanto, uma consulta realizada em 28 de outubro revelou que esse número caiu para 66.210, representando uma redução de 3.335 operações, ou 5%. Essa revisão indica que cerca de 500 mil passageiros a menos poderão ser atendidos em relação ao volume inicialmente projetado, embora isso não signifique necessariamente cancelamentos de voos já programados, mas sim uma diminuição na oferta esperada pelo setor.
O impacto da alta do QAV deverá ser sentido em 19 dos 27 estados brasileiros. A Abear estima que Sergipe enfrentará a maior retração, com uma queda de 24,8%, seguido pela Bahia, que deve registrar uma diminuição de 17,4%. Essas reduções superam a média nacional. Em estados como São Paulo e Rio de Janeiro, que abrigam alguns dos principais aeroportos do país, a previsão é de queda na oferta de voos de 3,8% e 7,7%, respectivamente.
Em contrapartida, oito estados ainda devem registrar crescimento na oferta de voos, com Roraima liderando com uma alta de 15,3%, seguido por Acre (11,4%), Rondônia (10,8%), Amazonas (9,6%), Tocantins (8,4%), Mato Grosso do Sul (4%), Piauí (3%) e Santa Catarina (0,3%).
A revisão das projeções ocorre em um cenário de escalada nos preços do QAV, que representa cerca de 46% das despesas operacionais das companhias aéreas, segundo a Abear. Essa elevação nos custos pressiona as operações das empresas e pode influenciar decisões sobre capacidade, planejamento de rotas e expansão da oferta. Além disso, as tarifas domésticas também estão aumentando. Dados da Anac mostram que o preço médio das passagens subiu de R$ 629,95 em fevereiro para R$ 746,57 em setembro, uma alta de 18,5%. Essa escalada de preços está associada, em parte, aos conflitos no Oriente Médio, conforme apontado pela Abear.




