Em um depoimento à Polícia Federal, Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, afirmou que o banqueiro tinha pleno conhecimento e controlava as operações de empréstimos consignados da instituição. A declaração foi feita no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga crimes financeiros no banco. Lima destacou que Vorcaro não apenas conhecia os detalhes da operação, mas também centralizava as decisões estratégicas e operacionais do banco, contradizendo a versão do ex-banqueiro, que alegou não ter conhecimento aprofundado sobre o tema.
Lima mencionou que, em dezembro de 2024, quando uma equipe interna indicou que certos contratos não deveriam ser processados, Vorcaro deu uma ordem direta para que a operação fosse realizada. Além disso, o ex-sócio relatou que Vorcaro orientou funcionários a fornecer respostas evasivas durante auditorias do Banco de Brasília (BRB) e do Banco Central, o que levanta sérias questões sobre a transparência e a ética nas operações do banco.
O depoimento de Lima contrasta com a declaração anterior de Vorcaro, que em dezembro do ano passado afirmou que não se envolvia nos detalhes das operações de crédito consignado. A defesa de Vorcaro não se manifestou sobre as novas alegações, enquanto a defesa de Lima optou por não comentar.
Lima também revelou que o nome de associações de servidores públicos foi utilizado para dar uma aparência de legitimidade a carteiras de crédito que não possuíam lastro real. Ele afirmou que a operação inicial com o BRB, de R$ 750 milhões, foi baseada em créditos regulares de funcionários públicos, mas que a estrutura do Credcesta, um cartão criado por ele para oferecer crédito consignado, não teria capacidade para gerar os montantes exigidos pelos auditores.
O ex-sócio de Vorcaro destacou que a carteira de consignado, estruturada a partir do Credcesta, foi fundamental para que o Banco Master subisse no ranking nacional entre 2019 e 2025. Lima afirmou que seria contraditório que o principal executivo do banco não soubesse como funcionava uma atividade tão relevante.
A Polícia Federal indiciou Vorcaro e outras 14 pessoas por suspeitas de crimes financeiros relacionados à venda de carteiras de crédito ao BRB. Lima, que é apontado como parte do núcleo executivo-financeiro, foi indiciado por gestão fraudulenta, organização criminosa e lavagem de dinheiro. A defesa de Lima nega as acusações e afirma que ele não participou das fraudes investigadas. A situação continua a se desenrolar, com a expectativa de mais desdobramentos nas investigações.



