Os acionistas da Raízen, uma das principais produtoras de açúcar e etanol do Brasil, aprovaram na última sexta-feira (30) o plano de recuperação extrajudicial da empresa. A decisão, que foi reportada pela agência Reuters, ocorre em um momento crucial para a companhia, que também atua na distribuição de combustíveis. De acordo com fontes próximas ao processo, o plano inclui um aumento de capital que pode variar entre R$ 3,5 bilhões e R$ 39,8 bilhões, conforme um documento divulgado pela empresa na segunda-feira.
O plano de recuperação, homologado em 30 de julho, obteve o apoio de 81,6% dos credores. Ele visa a reestruturação de R$ 61,4 bilhões em dívidas, um passo necessário para garantir a sustentabilidade financeira da Raízen. A proposta contempla a conversão de 45% dos créditos em participação acionária, com um valor estimado de R$ 0,25 por ação, enquanto os 55% restantes serão transformados em novos títulos de dívida, através de substituição, refinanciamento ou aditamento.
A Shell, controladora da Raízen, se comprometeu a investir R$ 3,5 bilhões no processo de recuperação, e a Ometto está considerando a possibilidade de aportar mais R$ 500 milhões. Em paralelo a essas ações, a empresa planeja implementar um programa de desinvestimentos, além de separar suas operações de combustíveis da produção de etanol e cana-de-açúcar, que foram unificadas em 2011, quando a Shell se uniu à Cosan para formar a Raízen.
Essa reestruturação é vista como uma resposta necessária às dificuldades financeiras enfrentadas pela empresa, que busca se estabilizar em um mercado competitivo e desafiador. A aprovação do plano de recuperação extrajudicial é um passo importante para a Raízen, que busca não apenas a recuperação de sua saúde financeira, mas também a manutenção de sua posição no setor energético brasileiro.




