Post: Produtores de proteína de soja solicitam taxa contra a China, maior comprador do Brasil

Produtores de soja pedem ao governo brasileiro taxa contra a China, maior comprador do grão, alegando concorrência desleal.
Produtores de proteína de soja solicitam taxa contra a China, maior comprador do Brasil

Produtores brasileiros de proteína de soja estão pedindo ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva que tome medidas comerciais imediatas contra a China, que se destaca como o principal comprador do grão brasileiro. O setor argumenta que enfrenta concorrência desleal relacionada à proteína de soja, um ingrediente industrial utilizado na fabricação de alimentos como salsichas, mortadelas e hambúrgueres.

O pedido, liderado por grandes empresas do setor, como a ADM e a Solae, conta com o respaldo da Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais). Recentemente, a associação acionou o Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Camex) para solicitar a implementação de uma cobrança adicional e provisória sobre as importações de proteína de soja provenientes da China.

Os produtores desejam que essa taxa extra seja aplicada imediatamente, sem aguardar a conclusão de uma investigação em andamento, que começou em abril, para apurar suspeitas de dumping. O dumping ocorre quando um produto é vendido a preços inferiores aos praticados no país de origem, o que pode ser considerado uma estratégia ilegal para conquistar mercados.

A disputa revela tensões dentro de uma das principais cadeias do agronegócio brasileiro. Em 2025, a China comprou 85,6 milhões de toneladas de soja do Brasil, totalizando US$ 34,7 bilhões, representando 79% das exportações do grão. No entanto, na área das proteínas, a situação é mais complicada. Fabricantes brasileiros reclamam da concorrência desleal nesta fase industrial, onde o grão é transformado em um ingrediente com maior concentração de proteína.

A Abiove afirma que a indústria nacional tem capacidade para atender o mercado interno e que a continuidade das importações em condições desiguais compromete a sustentabilidade dos investimentos realizados no Brasil. A associação cita o exemplo da ADM, que investiu cerca de R$ 1 bilhão em sua unidade de proteínas de soja em Campo Grande (MS), inaugurada em 2018.

O pedido da Abiove foi enviado aos membros do Comitê-Executivo de Gestão da Camex, que reúne representantes de dez ministérios para decidir sobre tarifas e medidas de defesa comercial. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic) afirmou que uma medida de antidumping provisório só pode ser aplicada se houver uma determinação preliminar que conclua pela existência de dumping e dano à indústria nacional.

Atualmente, o Decom (Departamento de Defesa Comercial) ainda não emitiu tal determinação, o que impede a imposição de medidas provisórias. Além disso, a Camex precisa avaliar se a medida é necessária para evitar o agravamento do dano durante a investigação.

A ADM optou por não comentar o assunto, enquanto a Solae reafirmou seu pedido de investigação sobre as importações de proteína de soja. A eventual adoção da taxa emergencial recairia sobre a importação do produto chinês, podendo aumentar seu custo no mercado brasileiro e proteger os fabricantes locais. No entanto, isso também acarretaria um aumento de despesas para as empresas de alimentos que utilizam essa proteína.

Embora a Abiove não tenha especificado um valor para a sobretaxa, estimativas indicam que a aplicação da taxa poderia impactar o preço final de produtos processados de carne entre 0,33% e 1,89%. Isso significaria um acréscimo de R$ 0,07 a R$ 0,38 em um produto vendido por R$ 20, um aumento que a associação considera como um “impacto limitado”.

A investigação sobre as importações de proteína de soja da China foi iniciada após um pedido das empresas ADM e Solae, que também têm origem americana. O governo brasileiro encontrou indícios suficientes para iniciar a apuração, mas a abertura do procedimento não equivale a uma conclusão definitiva sobre a prática ou os prejuízos alegados. Enquanto isso, o setor continua a pressionar por medidas provisórias e imediatas.

A Abiove argumenta que a aplicação de um direito antidumping provisório é necessária para evitar o agravamento do dano à indústria nacional enquanto a investigação prossegue. A falta de aplicação da taxa poderia aumentar a pressão sobre os preços e inibir novos investimentos no setor. Dados do governo mostram que as importações de proteína de soja chinesa cresceram significativamente nos últimos anos, passando de 4,5 mil toneladas em 2017 para 8,5 mil toneladas em 2025, um aumento de 88,3%. De janeiro a setembro de 2026, as compras do produto chinês somaram cerca de 7 mil toneladas, representando 82% do total registrado em 2025.

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