Sete cofundadores bilionários da Anthropic estão prestes a assumir o controle da empresa após a esperada abertura de capital, um movimento que testará se suas crenças compartilhadas e laços pessoais resistirão às pressões do mercado acionário. A companhia de inteligência artificial divulgou recentemente seu prospecto para o IPO (Oferta Pública Inicial de Ações), revelando que esses executivos — entre eles o CEO Dario Amodei e a presidente Daniela Amodei — receberão uma classe especial de ações que lhes dará 50,1% do poder de voto. Isso significa que os acionistas comuns terão praticamente nenhum controle sobre as decisões da empresa, obrigando-os a confiar em um grupo descrito como “guardiões de nossa missão”. O documento também destaca a permanência “incomum” dos fundadores, em contraste com a saída de muitos executivos da OpenAI, onde a maioria deles trabalhou anteriormente.
A equipe fundadora da Anthropic é elogiada por sua visão unificada, algo raro entre laboratórios de IA. Jenny Xiao, ex-pesquisadora da OpenAI, afirma que essa estabilidade é tranquilizadora para os investidores, pois a rotatividade da liderança pode resultar na perda de conhecimento institucional e na deterioração da cultura organizacional. Embora a avaliação da empresa no mercado determine o patrimônio líquido dos cofundadores, suas participações foram estimadas em até US$ 15,5 bilhões após a última rodada de captação, que avaliou a Anthropic em US$ 965 bilhões. Além disso, os fundadores se comprometeram a doar 80% de suas fortunas para instituições de caridade.
Os cofundadores deixaram a OpenAI em dezembro de 2020 com a convicção de que a evolução rápida dos sistemas de IA exigia um caminho mais responsável. Dario Amodei, em uma das primeiras reuniões da nova empresa, expressou que “as coisas nunca mais vão voltar a ser tranquilas”. A ideia de criar a Anthropic foi inicialmente sugerida por Jared Kaplan, um amigo de longa data de Amodei. O grupo decidiu formar uma public benefit corporation, uma estrutura que considera o impacto social da empresa, além do retorno aos acionistas.
Os irmãos Amodei ocupam papéis centrais na Anthropic, com Dario focando na visão e pesquisa da empresa, enquanto Daniela gerencia as operações diárias. Ambos são vistos como complementares em suas funções, com Daniela possuindo habilidades interpessoais que a tornam uma líder eficaz. Os cofundadores mantêm relações pessoais estreitas e se reúnem regularmente, compartilhando aprendizados e experiências em um restaurante chinês que frequentam há anos.
O controle da Anthropic está estruturado de forma a garantir que os cofundadores mantenham influência significativa sobre o futuro da empresa. O fundo Long-Term Benefit Trust, que supervisiona a governança, tem o poder de eleger e destituir quatro dos sete membros do conselho de administração. Essa estrutura incomum reflete a intenção dos fundadores de manter a missão da empresa alinhada com suas crenças e valores, mesmo diante das pressões do mercado.
A Anthropic, que já é uma das principais empresas de inteligência artificial do mundo, se prepara para um novo capítulo em sua trajetória, com os cofundadores determinados a moldar o futuro da tecnologia de maneira responsável e ética.




