Aliados de Donald Trump e figuras da ultradireita americana, como Steve Bannon, ex-estrategista da Casa Branca, e Elon Musk, dono da SpaceX, levantaram dúvidas sobre a legitimidade das eleições brasileiras que reelegeram Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último domingo (25). Sem apresentar evidências concretas, ambos contestaram o resultado que garantiu uma virada histórica do petista contra Flávio Bolsonaro (PL). Até o início da tarde desta segunda-feira (26), Trump ainda não havia se pronunciado sobre o pleito, embora tenha elogiado o desempenho de Flávio no primeiro turno sem declarar apoio explícito à sua candidatura.
Musk compartilhou um post que trazia os resultados das eleições e afirmou que a “conta não fecha”. No entanto, o bilionário ignorou um fator crucial: a queda recorde na abstenção, que impactou principalmente os segmentos que tradicionalmente favoreciam Lula. No primeiro turno, 21,08% dos eleitores não compareceram às urnas, enquanto neste último domingo esse número caiu para 19,2%. Essa mudança foi decisiva para a vitória do petista.
Após perder para Flávio Bolsonaro por 2,2 milhões de votos na primeira rodada, Lula conseguiu reverter a situação, abrindo uma vantagem de 4,4 milhões de votos no segundo turno, totalizando 6,6 milhões a mais. O desempenho destacado em Minas Gerais e no Nordeste também foi fundamental para essa virada.
O deputado federal Janones (Rede-MG) respondeu às declarações de Musk, questionando: “Como assim [a conta] não fecha? 10 milhões de soldados = 10 milhões de votos”. Ele se referia à mobilização digital que liderou, reunindo mais de 10 milhões de pessoas no canal de WhatsApp “Exército do Lula”, que orientou a militância nas redes sociais durante a campanha.
Por sua vez, Bannon pediu que Trump e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, se manifestassem sobre a eleição e rompesse relações diplomáticas com o Brasil. “Nada de comércio, nada. Este é um governo marxista globalista ilegítimo. Se vocês acham que esse roubo de eleição não vai acontecer aqui, estão redondamente enganados”, escreveu Bannon.
Ele ainda alertou que, se não houver ação, a situação poderá se repetir nas eleições de meio mandato nos Estados Unidos, onde o Partido Republicano corre o risco de perder sua já estreita maioria no Congresso. No primeiro turno das eleições brasileiras, Trump também havia publicado uma mensagem nas redes sociais, elogiando a rapidez da apuração dos votos no Brasil, utilizando isso para criticar o sistema eleitoral americano.



