O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, anunciou nesta sexta-feira (23) uma operação militar de grande escala na Cisjordânia ocupada, após um ataque a tiros que resultou na morte de dois soldados israelenses em um posto de controle na cidade de Hebron. A declaração de Netanyahu ocorre a apenas quatro dias das eleições legislativas, marcadas para 27 de outubro, que podem determinar a continuidade de seu governo. Durante uma visita a Hebron, o premiê prometeu uma ofensiva que, segundo ele, será “como não se vê desde a Guerra dos Seis Dias”, em referência ao conflito árabe-israelense de 1967, que culminou na ocupação israelense da Cisjordânia. “As Forças de Defesa estão prontas para executá-la, e nós definiremos o momento, mas ela está a caminho”, afirmou Netanyahu, enfatizando a gravidade da situação. O ataque que motivou a resposta militar ocorreu na manhã de hoje, quando dois homens armados, um com um fuzil e outro com uma pistola, abriram fogo contra um grupo de militares em um cruzamento ao norte de Hebron. Ambos os agressores foram mortos em um intenso tiroteio. O Exército israelense identificou os soldados mortos como os sargentos Ron Yonatan Roytman, de 23 anos, e Yuval Shai Svilem, de 20 anos, além de outros três militares que ficaram levemente feridos. Netanyahu também ordenou o “fechamento imediato” de Hebron e solicitou ao Exército que se preparasse para um “fechamento total” da Cisjordânia. A cidade de Hebron é dividida em duas áreas: uma sob controle das autoridades palestinas e outra, onde residem colonos israelenses, sob a supervisão do Exército. O ataque ocorre em um contexto de crescente tensão na região. O Hamas, grupo terrorista baseado na Faixa de Gaza e responsável por um ataque anterior em 7 de outubro de 2023, celebrou o atentado e expressou pesar pela morte dos agressores, considerando a ação uma “resposta natural e legítima aos crimes e ataques brutais que continuam sendo cometidos contra o nosso povo”. Netanyahu indicou que a operação militar seguirá um modelo já utilizado em ações anteriores em campos de refugiados no norte da Cisjordânia. Uma operação chamada “Muro de Ferro”, lançada em janeiro de 2025, resultou no deslocamento forçado de dezenas de milhares de pessoas de vários campos de refugiados, conforme relatado pela ONU. O ministro da Defesa, Israel Katz, afirmou que todos os moradores dos bairros envolvidos no ataque serão retirados e que as casas serão vasculhadas em busca de armas e infraestrutura terrorista.



