Com a mudança na legislação que extingue a escala 6×1, comerciantes de São Paulo estão se preparando para adaptar suas operações. A nova norma, que entrará em vigor em dezembro, estabelece a jornada 5×2, com dois dias de folga por semana e uma redução gradual da carga horária semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial. Essa transição, embora vista com preocupação por alguns, também é encarada como uma oportunidade de reorganização.
Entre os comerciantes ouvidos, a falta de mão de obra qualificada e um ano desafiador em termos de vendas complicam a situação. Paula Goldberg, proprietária da marca Maria Bonita, planeja ajustar a escala de trabalho de sua equipe, fixando folgas em dias específicos da semana. Essa mudança visa proporcionar um melhor planejamento para os funcionários, além de facilitar a gestão das necessidades de pessoal nas lojas.
A ideia de Paula é que, com dias de folga fixos, os colaboradores possam se organizar melhor e a empresa consiga identificar os dias em que mais precisa de mão de obra. “Acredito que a produtividade vai melhorar, e o índice de rotatividade vai diminuir”, afirma.
Entretanto, a empresária também expressa preocupação com a dificuldade de encontrar novos colaboradores. “Está complicado encontrar pessoas comprometidas. Já enfrentamos um desfalque que não conseguimos preencher, e com a nova carga horária, precisaremos de ainda mais funcionários”, destaca.
Paula acredita que a escassez de mão de obra atual desmonta o argumento de que a mudança na jornada de trabalho levará a demissões em massa. Para ela, não faz sentido desligar funcionários se não há candidatos disponíveis para ocupar essas vagas. A expectativa é que, ao melhorar as condições de trabalho, a retenção de talentos se torne mais viável.
Os comerciantes estão, portanto, se mobilizando para encontrar soluções que não apenas atendam às novas exigências legais, mas que também melhorem a qualidade de vida de seus funcionários e a eficiência de suas operações. A adaptação à nova realidade do trabalho pode ser um desafio, mas também representa uma chance de inovar e fortalecer as relações de trabalho no setor.




