No dia 20 de outubro de 2026, dez associações e sindicatos de carreiras de elite do serviço público federal divulgaram um manifesto em defesa da gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e em crítica à administração de Jair Bolsonaro (PL). O documento surge às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, agendado para o próximo domingo, 25 de outubro.
As entidades que assinam o manifesto incluem representantes de auditores-fiscais da Receita Federal e do Trabalho, diplomatas do Itamaraty, especialistas em políticas públicas e técnicos do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), entre outros. Embora o texto não mencione nomes, ele estabelece um contraste entre os dois últimos governos, afirmando que o período sob Bolsonaro foi caracterizado por assédio institucional e moral, além de perseguições a servidores públicos. Em contrapartida, a gestão atual é elogiada por retomar as negociações salariais e conceder reajustes, embora as entidades considerem esses aumentos ainda insuficientes para compensar as perdas acumuladas.
Entre as principais preocupações expressas no documento estão a possibilidade de uma nova reforma administrativa, o congelamento ou a redução de salários e restrições a novos concursos públicos. As entidades também se mobilizaram contra a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 32, que visa reformar a estrutura administrativa do serviço público, proposta durante a gestão de Bolsonaro.
Dão Real Pereira dos Santos, presidente do Sindifisco Nacional, sindicato dos auditores-fiscais da Receita, destacou que a proposta de reforma administrativa se concentra na redução de custos, em vez de buscar melhorias nos serviços públicos. Ele reconheceu a necessidade de aperfeiçoar os serviços, mas enfatizou que muitas áreas carecem de investimento e enfrentam uma demanda reprimida por atendimento.
Uma das principais preocupações do presidente do Sindifisco é a possibilidade de perdas salariais. Ele ressaltou que, no serviço público, não existe uma regra de data-base para reajustes, e a recomposição salarial fica a critério de cada governo. Durante a gestão de Bolsonaro, não houve reajustes significativos, enquanto na administração atual, as carreiras receberam um reajuste linear de 9% em 2023, seguido por uma média de 24% nas mesas de negociação, considerando apenas os números nominais.
Além disso, há uma percepção generalizada de que a estrutura do Estado é vista como uma inimiga, o que gera preocupação entre os servidores. Essa visão, segundo Pereira dos Santos, pode impactar negativamente a atuação dos órgãos públicos e a confiança da população nas instituições.
O manifesto das entidades do serviço público reflete um momento crítico na política brasileira, onde as escolhas feitas nas urnas podem influenciar diretamente as condições de trabalho e a valorização dos servidores públicos. Com as eleições se aproximando, a mobilização dessas associações destaca a importância de um debate mais amplo sobre a gestão pública e o futuro do serviço público no Brasil.




