A recente mudança na legislação trabalhista, que aboliu a escala 6×1 em favor da jornada 5×2, tem gerado um clima de celebração entre os trabalhadores. Essa alteração, promulgada na última sexta-feira, promete não apenas mais tempo livre para descanso, mas também a possibilidade de gerar renda extra, especialmente para pais e mães que buscam maior convivência com os filhos. No entanto, a medida também enfrenta críticas de setores produtivos que temem uma queda na produtividade e possíveis perdas econômicas. Pesquisas realizadas tanto no Brasil quanto em outros países indicam que a redução da carga horária pode, na verdade, resultar em ganhos de produtividade ao longo do tempo. Um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) revela que 70% das nações que implementaram jornadas de trabalho mais curtas ou flexíveis relataram um aumento na eficiência dos trabalhadores. De acordo com um levantamento do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit), vinculado à Unicamp, a expectativa é de que o Brasil, que já experimentou um crescimento de 12% na produtividade do trabalho e de 25% no crescimento econômico entre 2012 e 2024, consiga adotar essa nova jornada sem prejuízos significativos. O estudo faz parte do Dossiê: Fim da Escala 6×1 e Redução da Jornada de Trabalho, que analisa a viabilidade econômica da mudança para uma carga de 40 horas semanais, sem redução salarial, conforme a emenda constitucional 141. Os pesquisadores Isadora Scheide Muller e Cássio da Silva Calvete destacam que o crescimento econômico e de produtividade observado nos últimos anos oferece segurança ao Brasil durante essa fase de transição. Eles ressaltam que o custo da mão de obra no país é inferior ao de nações desenvolvidas, o que pode facilitar a compensação de eventuais perdas. Além disso, o caso do Chile, que recentemente reduziu sua jornada de trabalho, serve como um exemplo positivo. O país conseguiu implementar a mudança sem comprometer a produtividade, o que alimenta a esperança de que o Brasil possa seguir um caminho semelhante. Com a nova legislação, a expectativa é que os trabalhadores possam desfrutar de um equilíbrio melhor entre vida pessoal e profissional, refletindo em um ambiente de trabalho mais saudável e produtivo.



