Post: Vorcaro atribui crise do BRB a operação da PF contra o Banco Master

Daniel Vorcaro, do Banco Master, afirma que a crise do BRB foi provocada pela operação da PF, negando fraudes e prejuízos.
Vorcaro atribui crise do BRB a operação da PF contra o Banco Master

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, afirmou em depoimento à Polícia Federal que a crise reputacional do Banco de Brasília (BRB) foi gerada pela operação Compliance Zero, que investiga a compra de carteiras de crédito fraudulentas. Em sua declaração, Vorcaro considerou a ação policial precipitada e afirmou que envolveu a instituição em um “enredo falso de suposta fraude bilionária”. As informações foram divulgadas pela defesa do ex-banqueiro após um depoimento que durou cerca de três horas.

Os advogados de Vorcaro sustentaram que a operação abalará a confiança necessária para o funcionamento regular de um banco e negaram que houvesse prejuízo ao BRB ou a seus clientes. Ele enfatizou que as transações entre o Banco Master e o BRB foram legítimas, baseadas em decisões técnicas e colegiadas, sem causar danos à instituição.

Vorcaro também negou a venda ao BRB de carteiras de crédito consignado no valor de R$ 12,2 bilhões, o que representaria mais de 20% das operações de crédito do BRB. Segundo ele, o negócio não foi concluído e não gerou prejuízos. “Ao contrário do que se especulou, a troca de ativos realizada demonstra que os negócios entre o Banco Master e o BRB geraram resultados positivos para o Banco de Brasília”, afirmou.

A defesa do ex-banqueiro anunciou que, nesta sexta-feira (16), apresentará uma contestação na esfera cível e solicitará uma perícia para refutar a narrativa de fraude e prejuízo. O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, também prestou depoimento na mesma data e está preso desde abril, no mesmo inquérito. As investigações indicam que ele teve um papel central nas decisões sobre as compras das carteiras e foi afastado do cargo em novembro de 2025, após pedidos de prisão que foram negados pela Justiça.

Recentemente, o BRB entregou à Polícia Federal um relatório final de auditoria independente sobre seus negócios com o Banco Master, que confirmou suspeitas sobre as operações. A auditoria revelou que as compras de carteiras eram tratadas como “negócio do presidente” e realizadas sob pressão, com indícios de ausência de lastro e inconsistências documentais em parte significativa dos ativos adquiridos, totalizando R$ 21,9 bilhões. O caso continua a ser investigado, enquanto as partes envolvidas buscam esclarecer os fatos e suas implicações.

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