Post: Montadoras europeias investem em carros retrô para competir com marcas chinesas

Montadoras europeias investem em carros retrô elétricos para competir com marcas chinesas em um mercado em transformação.
Montadoras europeias investem em carros retrô para competir com marcas chinesas

As montadoras europeias estão se voltando para o mercado de veículos retrô, apostando em versões elétricas acessíveis de modelos clássicos para enfrentar a crescente concorrência das marcas chinesas. A Citroën, parte do grupo Stellantis, planeja relançar o icônico 2CV, com uma versão elétrica prevista para 2028, com preço estimado em 15 mil euros (cerca de R$ 85 mil). Por outro lado, a Volkswagen aposta no ID.Polo, um hatch elétrico inspirado no popular Golf, com valor de 25 mil euros (aproximadamente R$ 141 mil).

O retorno do 2CV foi anunciado em uma feira do setor em Paris e segue o sucesso da Renault com suas versões elétricas de modelos clássicos, como o R5 e o Twingo. As montadoras europeias buscam explorar a nostalgia e a tradição de suas marcas, características que as novas concorrentes chinesas ainda não possuem, para atrair consumidores.

Antonio Filosa, CEO da Stellantis, destacou o potencial do 2CV, que será desenvolvido em uma nova plataforma de veículos elétricos, visando reduzir custos. Ele garantiu que o modelo será 100% produzido na Europa. O 2CV, com seu design peculiar e teto de lona, atraiu a atenção na feira, mas as montadoras chinesas também marcaram presença, representando cerca de um terço dos expositores.

Marcas como Li Auto e Aito, além da BYD, estão cada vez mais ativas no mercado europeu, aumentando a pressão sobre as montadoras locais, que enfrentam um cenário de estagnação. A consultoria AlixPartners prevê que, até 2030, as marcas chinesas responderão por 16% das vendas de veículos na Europa, um aumento em relação aos atuais 12%. Enquanto isso, os fabricantes ocidentais lidam com custos elevados, fechamento de fábricas e demissões.

Um veículo elétrico chinês custa, em média, US$ 20 mil (R$ 100 mil), em comparação com US$ 31 mil (R$ 155 mil) para modelos equivalentes europeus, principalmente devido aos menores custos de produção. Essa diferença, somada à demanda estagnada, tem levado as fábricas europeias a operar com menos de 60% de sua capacidade, resultando em cortes significativos de empregos na região.

Em resposta a novas restrições às exportações de híbridos e medidas protecionistas para incentivar a produção local, montadoras chinesas como a Changan estão planejando fabricar veículos na Europa, buscando parcerias para estabelecer cadeias de fornecimento locais. Zhao Fei, gerente-geral da Changan, mencionou que a empresa pretende produzir 180 mil unidades na Europa até 2028, com um plano de quase dobrar esse volume em dois anos.

A Chery, que possui as marcas Jaecoo e Omoda, também está se preparando para iniciar a produção na Espanha e está em negociações com a Nissan para compartilhar instalações no Reino Unido. Yin Tongyue, presidente da Chery, afirmou que a empresa está focada em reproduzir o padrão de qualidade da Toyota, contratando engenheiros aposentados da gigante japonesa.

Os líderes da Stellantis, Volkswagen e Renault estão pressionando por regras mais rigorosas para produtos “feitos na Europa”, argumentando que isso permitirá uma competição mais justa com as montadoras chinesas. Essas novas regras fazem parte de uma legislação mais ampla para fortalecer a indústria automotiva da União Europeia, com implementação gradual nos próximos três anos.

Enquanto isso, as montadoras europeias estão buscando maneiras de reduzir custos e aumentar a eficiência. A Renault, por exemplo, tem adotado componentes e engenheiros chineses para diminuir gastos e acelerar o desenvolvimento de novos veículos. François Provost, CEO da Renault, acredita que a montadora pode ser mais competitiva do que fabricantes chineses que produzem na Europa.

Além do preço, as montadoras europeias estão tentando conquistar consumidores enfatizando a qualidade e a confiabilidade. Durante a feira de Paris, a Renault apresentou uma versão conceitual elétrica da minivan Espace, destacando a importância do suporte pós-venda e a disponibilidade de peças de reposição.

Bruno Vanel, diretor de produto da Renault, ressaltou que a empresa não está apenas relançando modelos clássicos, mas sim destacando sua história e identidade. Executivos do setor automobilístico europeu alertam que a falta de peças de reposição e uma rede de assistência técnica insuficiente podem limitar o crescimento das montadoras chinesas. No entanto, a BYD já estabeleceu 15 centros de distribuição na Europa para garantir um fornecimento eficiente de peças.

A fabricante chinesa também tem recrutado profissionais de empresas como Tesla e Toyota, e possui um centro de design em Milão, com um diretor de estilo alemão que cresceu na Itália, reforçando sua imagem como uma marca europeia. Alfredo Altavilla, assessor especial das operações europeias da BYD, afirmou que a empresa está comprometida em se integrar ao mercado europeu, buscando atender às expectativas dos consumidores locais.

Últimas Notícias