A mineradora australiana Viridis está avançando com seu projeto de extração de terras raras em Poços de Caldas, Minas Gerais, apesar da resistência de moradores da região. Com um investimento previsto de US$ 450 milhões, a empresa planeja iniciar suas operações em 2028, mas já enfrenta protestos e preocupações sobre os impactos ambientais e sociais do projeto.
A Viridis, que já firmou um acordo comercial com a belga Solvay para o refino dos produtos extraídos, está se posicionando como uma das pioneiras na exploração de terras raras no Brasil. A região da APA da Pedra Branca, que abrange os municípios de Andradas, Caldas e Poços de Caldas, possui outros seis projetos de extração de terras raras, totalizando uma movimentação de mais de 10 milhões de toneladas de material por ano.
Os elementos de terras raras, como neodímio e praseodímio, são essenciais para a fabricação de ímãs de alta intensidade utilizados em diversas tecnologias, incluindo motores elétricos e equipamentos médicos. Embora o mercado global de terras raras seja dominado pela China, há uma crescente demanda por descentralização da produção, o que abre oportunidades para o Brasil.
O projeto da Viridis, denominado Colossus, obteve licença prévia em dezembro de 2025, mas a empresa ainda aguarda a licença de instalação para iniciar as obras. Recentemente, o BNDES liberou um financiamento de R$ 77,5 milhões para apoiar o desenvolvimento industrial do projeto, que inclui a construção de plantas demonstrativas e de reciclagem.
Entretanto, moradores da região expressam preocupações sobre os impactos ambientais da mineração, especialmente devido à proximidade das áreas urbanas. O projeto Colossus, que pode chegar a apenas 300 metros de residências, tem gerado receios sobre a poluição do ar e a contaminação do solo e da água. A integrante do coletivo Rara é a Vida, Danielle Vilas Boas, destaca que a comunidade se sente como “cobaias” em um experimento que não foi testado em larga escala no Brasil.
Em resposta às preocupações da comunidade, Klaus Petersen, diretor-executivo da Viridis Brasil, afirmou que a empresa está considerando postergar as escavações mais próximas às casas e que um programa de mitigação de poeira está em desenvolvimento. A empresa planeja utilizar cercas de árvores e técnicas de umidade para minimizar a poeira gerada pela operação.
Com uma área de 400 hectares destinada ao projeto, Petersen acredita que a extensão não é excessiva e que a recuperação ambiental será uma prioridade. A operação deve movimentar cerca de 5 milhões de toneladas de argilas iônicas anualmente, com a expectativa de extrair de 2 a 3 kg de terras raras para cada tonelada de argila.
Além das preocupações locais, a visita de uma comitiva interministerial do governo federal em junho de 2026 resultou em um relatório que apontou riscos socioambientais significativos, incluindo a possibilidade de contaminação por elementos radioativos e metais pesados. O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União também solicitou uma auditoria sobre os projetos de mineração na região, destacando a necessidade de uma análise mais aprofundada sobre os impactos potenciais da mineração em áreas urbanas.
A situação em Poços de Caldas reflete um dilema crescente no Brasil, onde a demanda por minerais estratégicos para a transição energética entra em conflito com as preocupações ambientais e sociais das comunidades locais. O futuro do projeto da Viridis dependerá não apenas da viabilidade econômica, mas também da capacidade de atender às demandas e preocupações dos moradores da região, que buscam garantir a proteção de seu meio ambiente e qualidade de vida. Continue acompanhando o Clique Agora para mais notícias sobre política, cidades, economia, segurança, agronegócio e os principais acontecimentos de Rondonópolis, Mato Grosso e do Brasil.




