A vitória de Cleitinho Azevedo (Republicanos) no primeiro turno das eleições de 2026 para o governo de Minas Gerais marca um novo capítulo na política do estado. Com 55,4% dos votos válidos, o senador agora se dedica à transição de governo, enquanto o partido Novo, que governou Minas desde 2019, enfrenta um cenário de incertezas e reavaliações. A derrota de Mateus Simões (PSD), que obteve apenas 4,65% dos votos, e o desempenho do Novo, que não elegeu deputados federais no estado, alteraram significativamente o equilíbrio de forças políticas na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados.
O PL, por sua vez, se destacou ao conquistar 21 das 53 cadeiras na Câmara e igual número na Assembleia, impulsionado pela votação expressiva de Nikolas Ferreira. Em contrapartida, o Novo manteve apenas duas cadeiras na Assembleia, refletindo uma perda de influência em relação ao seu auge.
Para enfrentar os desafios da nova administração, Cleitinho nomeou o vice-governador eleito, Luís Eduardo Falcão, para coordenar a transição. Falcão, que já foi prefeito de Patos de Minas e presidente da Associação Mineira de Municípios, formou uma equipe com profissionais experientes em diversas áreas da administração pública. Entre os membros da comissão estão André Abreu Reis, ex-secretário de Planejamento de Belo Horizonte, e Ana Lúcia de Assis Simões, ex-reitora da Universidade Federal do Triângulo Mineiro.
As reuniões setoriais de transição estão programadas para começar em 23 de outubro, com foco inicial na saúde, seguido por discussões sobre infraestrutura, educação, desenvolvimento econômico e segurança pública. A situação fiscal de Minas, marcada por um déficit orçamentário de R$ 8,869 bilhões, será um dos principais desafios a serem enfrentados pelo novo governo. A renegociação da dívida com a União e a necessidade de equilibrar investimentos com a saúde financeira do estado estarão entre as prioridades de Cleitinho.
Embora tenha conquistado uma vitória expressiva, Cleitinho ainda precisa construir uma base parlamentar sólida. O PL, com a maior bancada na Assembleia, e o PT, com 15 cadeiras, são aliados potenciais. O cientista político Adriano Cerqueira acredita que a aproximação com o PL é uma estratégia viável, especialmente considerando a convergência entre as duas legendas no cenário nacional. Cleitinho já se reuniu com Flávio Bolsonaro, o que pode sinalizar uma aliança futura.
A situação de Mateus Simões, que se apresentou como sucessor de Romeu Zema, é incerta após a derrota. Simões, que havia se posicionado como um político disposto a enfrentar desafios impopulares, não conseguiu converter sua experiência em uma candidatura competitiva. Para Cerqueira, a falta de uma liderança eleitoral própria e a dependência da imagem de Zema foram fatores que contribuíram para sua queda nas urnas.
O Novo, que não conseguiu ampliar sua bancada na Assembleia e não elegeu representantes para a Câmara dos Deputados, enfrenta um dilema. O presidente estadual do partido, Christopher Laguna, reconheceu que a expectativa de conquistar cadeiras na Câmara não foi alcançada, embora o partido tenha superado a cláusula de barreira nacional. A perda de identidade do Novo, que antes se destacava pela inovação, também é apontada como um fator que afetou seu desempenho nas eleições.
Em um cenário onde Cleitinho se prepara para governar, a capacidade de gestão e a habilidade de formar alianças serão cruciais para o sucesso de sua administração. Enquanto isso, o futuro político de Simões permanece indefinido, levantando questionamentos sobre sua continuidade na política e os próximos passos que tomará após a derrota nas urnas.




