A China e a Rússia estão avançando em sua cooperação marítima e logística no Ártico, com ênfase no abastecimento energético. Um acordo nesse sentido foi firmado na última segunda-feira (12), após a visita de Nikolai Patruchev, assessor de Vladimir Putin, a Pequim, onde se reuniu com o chanceler chinês, Wang Yi. O principal ponto da discussão foi a Rota do Mar do Norte, que conecta a Ásia à Europa pela costa ártica russa e é gerida pela estatal Rosatom. Segundo Moscou, essa rota pode reduzir em até 40% o tempo de viagem entre os dois continentes. Para viabilizar essa rota, a Rússia tem solicitado investimentos, navios, equipamentos e acesso ao mercado chinês.
Em agosto, a empresa Sea Legend iniciou uma linha semanal de contêineres entre Ningbo-Zhoushan e a Europa, que opera apenas durante a temporada de navegação. No mesmo mês, os dois países realizaram a terceira reunião do subcomitê bilateral dedicado a essa rota.
A construção naval também foi um tema abordado, uma vez que a indústria russa enfrenta dificuldades devido às sanções ocidentais. Patruchev reconheceu que a dependência de componentes importados resulta em falta de peças, atrasos e aumento de custos. O Conselho Marítimo discutiu a colaboração entre os escritórios de projeto dos estaleiros dos dois países. A instabilidade no estreito de Hormuz e a guerra no Irã tornaram essa questão ainda mais urgente para Pequim. Em março, o Ártico foi o foco de um fórum de logística China-Rússia realizado em Moscou.
Historicamente, Pequim tratou o Ártico russo com cautela. Após a invasão da Ucrânia em 2022, empresas chinesas evitaram adquirir ativos de energia que as petroleiras ocidentais deixaram para trás na região. No entanto, a atual crise no Golfo altera essa perspectiva. Apostando na rota russa, a China busca reduzir sua exposição a um estreito vulnerável a conflitos, mas isso a torna dependente de quebra-gelos, portos e autorizações controladas por Moscou. O risco é que Pequim se torne refém de um corredor que a Rússia pode usar como moeda de troca, expondo empresas chinesas a sanções secundárias dos Estados Unidos.
Além disso, a China está limitando suas exportações de carros para a União Europeia, uma medida que deve impactar significativamente as vendas. Essa decisão foi anunciada após conversas entre o comissário europeu de Comércio, Maros Sefcovic, e o ministro do Comércio chinês, Wang Wentao. A restrição se aplica a veículos híbridos e pode reduzir as vendas pela metade, estabelecendo um teto de 350 mil carros por ano a partir de dezembro. A China também planeja reduzir tarifas sobre produtos europeus e acelerar a liberação de licenças de exportação de terras raras.
Essas movimentações refletem um cenário em que tanto a China quanto a Rússia buscam fortalecer suas parcerias estratégicas, especialmente em um contexto geopolítico cada vez mais complexo.



