A recente eleição do Delegado Felipe Curi, agora deputado federal pelo Progressistas do Rio de Janeiro, revela um fenômeno crescente na política fluminense: a conversão da atuação policial em capital político. Ex-secretário de Estado de Polícia Civil durante o governo de Cláudio Castro, Curi consolidou sua trajetória rumo a Brasília nas votações do último dia 4. O destaque de sua carreira política foi o comando da operação Contenção, iniciada no final de 2025 nos complexos da Penha e do Alemão, que resultou em mais de 120 mortes, tornando-se um dos episódios mais letais da história policial do Brasil. Este evento superou o que ficou conhecido como “Massacre do Carandiru”, que em 1992 deixou 111 mortos em uma penitenciária em São Paulo. Em um estado onde a falência da segurança pública se transforma em um ativo político, a ascensão de Curi do combate ao crime à Câmara dos Deputados é sustentada por suas ações ostensivas. Ele conquistou 133.626 votos, representando 1,51% dos votos válidos no estado, e se alinha ao grupo político do governador eleito, Douglas Ruas. A capital fluminense foi o local onde Curi obteve o maior número de votos, totalizando 83.257. Este será seu primeiro mandato na Câmara. Nascido em agosto de 1976, Felipe Lobato Curi ingressou na Polícia Civil após se formar em Direito. Com mais de duas décadas de experiência, ele ocupou cargos de destaque, como chefe da Delegacia de Combate às Drogas e diretor do Departamento Geral de Homicídios. Essa trajetória lhe conferiu uma imagem de policial rigoroso, marcada por operações em favelas cariocas. Em setembro de 2024, Curi foi nomeado Secretário de Estado de Polícia Civil, onde implementou promoções por bravura. O ponto de virada de sua gestão ocorreu em 28 de outubro de 2025, com a operação Contenção, que mobilizou centenas de agentes e resultou em 121 mortes em apenas 24 horas, incluindo quatro policiais. Candidatos e apoiadores da linha dura do governo usaram o resultado da operação para conquistar a aprovação de um eleitorado temeroso diante do controle das facções criminosas no Rio. Em março de 2026, Curi deixou o cargo de Secretário para se filiar ao Progressistas e formalizar sua candidatura a deputado federal. Durante a campanha, Curi argumentou que a segurança pública não deve ser exclusivamente responsabilidade dos governos, destacando a desordem urbana como um precursor de crimes mais graves. Ele defendeu a necessidade de atuação das guardas municipais e setores de fiscalização para evitar a ocupação de territórios por grupos criminosos. Curi também propôs uma revisão da legislação penal e processual, visando impedir a rápida liberação de criminosos após a prisão. Uma de suas propostas mais controversas foi a redução da maioridade penal para 14 anos, acompanhada de uma ampliação do tempo de internação para adolescentes envolvidos em crimes graves. Embora tenha sido criticado por não apresentar planos de reestruturação das carreiras policiais, sua plataforma se baseou na operação que liderou, apresentando-a como um exemplo de coragem e eficácia no combate ao crime, estratégia que se provou vitoriosa nas urnas.



