Post: Balança do agronegócio registra recorde, mas futuro é incerto

A balança comercial do agronegócio brasileiro registra recorde, mas o último trimestre apresenta incertezas devido a desafios no mercado global.
Balança do agronegócio registra recorde, mas futuro é incerto

A balança comercial do agronegócio brasileiro está prestes a alcançar mais um recorde. Entre janeiro e setembro deste ano, o país obteve impressionantes US$ 133,6 bilhões em receitas com as exportações do setor, um aumento de 5,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Este desempenho coloca o Brasil próximo do recorde histórico de US$ 169,2 bilhões alcançado em 2025. A média mensal das exportações em 2025 foi de US$ 14,1 bilhões, enquanto neste ano já alcança US$ 15,2 bilhões.

Apesar do crescimento nas exportações, o agronegócio está perdendo participação na balança comercial total do país. Nos primeiros nove meses de 2023, as exportações do setor representaram 46,9% das receitas totais, uma queda em relação aos 49,1% registrados no mesmo período do ano passado, conforme dados do Ministério da Agricultura.

Os desafios para o último trimestre são consideráveis, especialmente devido à redução da participação da China nas compras de dois dos principais produtos brasileiros: soja e carne bovina. Por questões políticas, a China tem aumentado a importação de soja dos Estados Unidos, resultando em uma queda de 12% nas compras brasileiras em setembro, comparado ao mesmo mês de 2025. Na carne bovina, a situação é ainda mais crítica, com uma redução de 94% nas compras em setembro deste ano em relação ao ano anterior, devido ao esgotamento da cota sem a taxa extra de 55%.

Embora o saldo da balança comercial continue a crescer, alguns setores importantes, como café e açúcar, estão enfrentando dificuldades. O volume de café exportado caiu 5,5% em comparação ao ano passado, enquanto os preços médios recuaram 6%. O açúcar também viu uma queda significativa, com uma perda de 18% nos preços médios internacionais e uma redução de 13% no volume exportado.

A concentração das exportações está aumentando, com os cinco principais produtos agora representando 81,4% das receitas totais do Brasil. O complexo soja, carnes, produtos florestais, café e o setor sucroalcooleiro estão no topo dessa lista. O complexo soja, por exemplo, gerou US$ 52,2 bilhões até setembro, impulsionado pelo aumento das exportações de grãos, que somaram 100 milhões de toneladas. O preço médio também subiu para US$ 429 por tonelada, um aumento de 8% em relação ao ano anterior.

As carnes, por sua vez, renderam US$ 26 bilhões, com um crescimento de 15% em relação ao mesmo período de 2025. A carne bovina, beneficiada por antecipações de compras da China e da União Europeia, obteve US$ 14 bilhões, um aumento de 14% em relação ao ano anterior. O setor de frutas também está se destacando, com vendas externas que já somam US$ 1,18 bilhão, um aumento de 18%.

Entre os recordes registrados na balança comercial do agronegócio estão o volume de 100 milhões de toneladas de soja exportadas, receitas de US$ 13 bilhões nas exportações de carne bovina “in natura” e 20 milhões de toneladas de produtos florestais. Esses números refletem a força do agronegócio brasileiro, mas também destacam a necessidade de atenção às mudanças no mercado global e às políticas comerciais que podem impactar o futuro do setor.

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