Post: Israel se aproxima da ultradireita europeia em meio a críticas internacionais

Israel busca apoio da ultradireita europeia em meio a críticas internacionais, desafiando seu legado antissemita.
Israel se aproxima da ultradireita europeia em meio a críticas internacionais

Diante de um crescente isolamento no cenário internacional, o governo de Israel tem buscado estreitar laços com a ultradireita europeia, mesmo ciente do legado antissemita de alguns desses partidos. A estratégia visa contornar as críticas à condução da guerra na Faixa de Gaza, onde o governo de Binyamin Netanyahu tem sido alvo de severas condenações. Em resposta, Netanyahu e seus aliados acusam críticos de alimentar o ódio contra os judeus, ao mesmo tempo que adotam um tom conciliador com líderes políticos que os apoiam.

Recentemente, o site francês Mediapart revelou escritos antissemitas atribuídos a Jordan Bardella, presidente do partido de ultradireita Reunião Nacional. Em defesa de Bardella, o ministro israelense encarregado do Combate ao Antissemitismo, Amichai Chikli, destacou que ele é uma das vozes mais fortes da Europa contra o Hamas. Chikli lembrou que Bardella visitou locais afetados pelo ataque de 7 de outubro de 2023, que deu início ao atual conflito em Gaza.

O governo Netanyahu, considerado um dos mais à direita desde a fundação do Estado de Israel em 1948, também tem buscado normalizar relações com o Partido da Liberdade (FPÖ) na Áustria, fundado por ex-nazistas. Além disso, autoridades israelenses têm se aproximado de líderes da ultradireita na Suécia, Espanha e Reino Unido, em nome de preocupações comuns sobre imigração e islã. Essa guinada na diplomacia israelense se estende também à América Latina, onde líderes de direita radical na Argentina e na Colômbia têm se mostrado favoráveis a Israel.

Apenas a extrema direita alemã e seu partido AfD permanecem, por enquanto, à margem dessa mudança estratégica. Segundo Jeremy Issacharoff, ex-embaixador de Israel em Berlim, partidos europeus de ultradireita buscam um “certificado kosher” para se distanciar de seu passado antissemita, que ainda é um legado tóxico para o eleitorado moderado. Para Issacharoff, essa aproximação pode representar um ataque aos valores e à reputação de Israel no cenário internacional.

Em meio a essa nova estratégia, líderes judeus no Reino Unido expressaram preocupação com a visita do ativista de extrema direita Tommy Robinson a Jerusalém, onde suas posições anti-islâmicas foram aplaudidas. Além disso, o governo israelense tem adotado uma linguagem menos diplomática em relação a líderes ocidentais que criticam suas ações. O ministro das Relações Exteriores, Gideon Saar, recentemente pediu ao líder do partido britânico Reform UK que se distanciasse de posições extremistas, refletindo a crescente tensão entre Israel e alguns setores da política ocidental. Essa nova postura diplomática de Israel levanta questões sobre o impacto que essa aliança com a ultradireita poderá ter sobre as comunidades judaicas na Europa e a reputação do país no cenário internacional.

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