Em um momento de polarização política na América Latina, o chanceler do Uruguai, Mario Lubetkin, fez declarações contundentes sobre a situação na Venezuela e a legitimidade do governo de Delcy Rodríguez. Durante uma entrevista às margens da Assembleia Geral da ONU, Lubetkin afirmou que a vice-presidente venezuelana é “tão ilegítima quanto Maduro” e que não há perspectiva de retomar as relações bilaterais enquanto ela estiver no poder. Lubetkin, que representa um dos últimos governos de esquerda na região, destacou que o Uruguai ocupa atualmente posições de destaque no cenário político latino-americano, sendo presidente temporário do Mercosul e líder da Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos). Ele ressaltou a importância da unidade regional para enfrentar desafios como o crime organizado, um tema que considera prioritário para a integração dos países. “As alianças para combater o crime organizado devem priorizar a unidade regional”, disse o chanceler. Ele também mencionou que, assim como o Brasil, o Uruguai não foi convidado a participar do Escudo das Américas, uma iniciativa que visa fortalecer a segurança na região. Sobre as eleições no Brasil, Lubetkin expressou preocupação com a possibilidade de interferência externa e a necessidade de vigilância. Ele comentou sobre o principal adversário de Lula, o senador Flávio Bolsonaro (PL), e sua proposta de deixar o Mercosul. O chanceler acredita que, se Bolsonaro for eleito, ele perceberá que muitas das declarações feitas durante a campanha são impraticáveis ao assumir o governo. “Temos uma região cada vez mais polarizada”, afirmou Lubetkin, ao ser questionado sobre o nível de diálogo e integração na América Latina. Ele enfatizou que o Uruguai mantém uma excelente relação com todos os governos da região e que, sob sua liderança, a Celac tem promovido um diálogo ativo entre os países. Durante a Assembleia Geral da ONU, o Uruguai conduziu quatro reuniões da Celac, destacando a importância da cooperação entre os estados latino-americanos. As declarações do chanceler uruguaio refletem um momento crítico para a política regional, onde a legitimidade dos governos e a cooperação entre os países são temas centrais nas discussões sobre o futuro da América Latina. O Uruguai, sob a liderança de Yamandú Orsi, busca fortalecer a integração e enfrentar os desafios que surgem em um cenário cada vez mais complexo e polarizado.



