Post: Governadora de Nova York designa procuradora-geral para investigar caso de estupro coletivo em Cornell

Governadora de Nova York, Kathy Hochul, designa Letitia James para investigar caso de estupro coletivo em Cornell após recusa de promotores locais.
Governadora de Nova York designa procuradora-geral para investigar caso de estupro coletivo em Cornell

A governadora de Nova York, Kathy Hochul, anunciou nesta sexta-feira (2) a nomeação da procuradora-geral do estado, Letitia James, como promotora especial para investigar um suposto estupro coletivo de uma estudante por sete membros de uma fraternidade da Universidade Cornell, ocorrido em 2024. A decisão vem após a controvérsia gerada pela recusa inicial dos promotores locais em apresentar acusações criminais, reacendendo o debate sobre a legislação estadual que pode dificultar a responsabilização de agressores em casos onde a vítima consumiu álcool ou drogas voluntariamente.

O caso ganhou notoriedade nacional após a estudante alegar, em uma ação civil, que foi dopada com cetamina, agredida e estuprada por sete integrantes da fraternidade Chi Phi. Segundo a denúncia, os abusos ocorreram na sede da organização estudantil. A investigação foi reaberta na segunda-feira (28), após a apresentação da ação civil, que também questiona a atuação da universidade. A decisão inicial dos promotores de não apresentar acusações provocou indignação em todo o país.

A legislação de Nova York estabelece uma distinção entre intoxicação voluntária e involuntária, o que pode complicar a responsabilização em casos onde a vítima estava sob a influência de substâncias que ela mesma consumiu. A governadora Hochul se comprometeu a trabalhar com o Legislativo estadual para modificar essa lei, afirmando que “não deveria importar se elas escolheram consumir drogas ou álcool”. Ela enfatizou que a intoxicação voluntária não deve ser uma justificativa para agressões sexuais.

Hochul criticou a condução da investigação inicial, questionando como a polícia não teria encaminhado as acusações após ouvir a vítima relatar que havia sido estuprada em grupo. “Em que mundo a polícia ouviria de uma vítima que ela foi literalmente estuprada em grupo enquanto estava intoxicada e não encaminharia as acusações ao promotor?”, indagou a governadora.

Letitia James, por sua vez, prometeu revisar os fatos, coletar provas, entrevistar testemunhas e, se necessário, apresentar acusações criminais. O promotor do condado de Tompkins, Matthew Van Houten, declarou que pretende processar os sete homens, explicando que a decisão de não agir em 2024 se baseou na avaliação de que o depoimento da estudante não demonstrou ausência de consentimento.

Após as denúncias, a Universidade Cornell tomou medidas drásticas, fechando a fraternidade e suspendendo temporariamente os estudantes envolvidos, alguns dos quais foram posteriormente expulsos. Na quinta-feira (1º), estudantes da universidade realizaram uma reunião no campus, onde expressaram sua indignação e criticaram a administração da instituição pela forma como lidou com o caso, que gerou ampla repercussão.

“Nenhuma autoridade pública pode simplesmente fechar os olhos quando o sistema falha e deixa de proteger nossos jovens. Como governadora, não permitirei que ninguém abafe este caso”, afirmou Hochul, reafirmando seu compromisso com a justiça e a proteção das vítimas de crimes sexuais.

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