As quatro principais ligas de futebol da Europa — Premier League, La Liga, Serie A e Bundesliga — uniram forças e solicitaram, nesta sexta-feira (25), uma reforma abrangente na governança da Fifa. A pressão sobre a entidade, liderada pelo presidente Gianni Infantino, aumentou após a polêmica em torno de um projeto que visava atrair investidores privados, mas que acabou fracassando. Em um comunicado enviado à AFP, as ligas enfatizaram que “uma reforma fundamental da governança é essencial para restabelecer limites estatutários claros dentro da Fifa”. Elas também destacaram a importância de garantir que os processos disciplinares sejam livres de interferências políticas. A posição de Infantino se tornou vulnerável após a imposição, sem consulta prévia, da criação de uma nova entidade comercial chamada FFE (Fifa Forward Enterprise). Em resposta à crise, o presidente da Fifa propôs uma “consulta” com as federações nacionais para discutir possíveis reformas. No entanto, as ligas europeias consideram que mudanças superficiais não são suficientes. “Mudanças meramente processuais após o caso FFE são insuficientes”, afirmaram. Elas descreveram o projeto da FFE como “um dos mais graves abusos de poder na história da organização”. Como parte de suas propostas, as ligas sugeriram a criação de um “órgão permanente” que represente as associações nacionais, ligas, clubes e jogadores, tanto do futebol masculino quanto feminino. Esse órgão teria um papel significativo no processo de tomada de decisões da Fifa e deve ser informado sobre novas iniciativas. Além disso, as ligas exigiram que qualquer proposta importante da Fifa seja baseada em justificativas claras, evidências sólidas e uma avaliação independente, que leve em consideração o impacto em jogadores, clubes, ligas e torcedores. As quatro ligas ainda apelaram aos candidatos à presidência da Fifa para que apoiem esses princípios e convoquem uma convenção sobre governança nos primeiros 100 dias do próximo mandato presidencial. Essa convenção deve ser presidida por uma figura independente e reunir representantes de toda a comunidade do futebol, com o objetivo de apresentar um relatório público em até seis meses. Atualmente, Infantino é o único candidato à presidência da Fifa nas eleições marcadas para 18 de março de 2027, com o prazo para apresentação de candidaturas se encerrando em 18 de novembro. Apesar do recuo em relação ao projeto FFE, a pressão sobre Infantino continua. A Uefa, a Concacaf e a AFC estão exigindo sua renúncia e a Uefa está preparando um processo por “administração desleal” contra o presidente da Fifa, ao mesmo tempo em que busca um candidato para desafiá-lo nas próximas eleições.




